“Médicos estão a lutar por um SNS para todas as pessoas”

05 de julho 2023 - 15:13

Mariana Mortágua esteve na concentração dos médicos em frente ao Hospital de Santa Maria, que cumprem hoje o primeiro de dois dias de greve, convocada pela FNAM. Bloco pede aumento salarial de 40% para médicos em exclusividade sem aumento das horas extraordinárias.

PARTILHAR
Foto de ANTÓNIO PEDRO SANTOS, Lusa.

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) convocou uma greve nacional de dois dias para exigir “salários dignos, horários justos e condições de trabalho capazes de garantir um SNS à altura das necessidades” da população. A par da paralisação, foram agendadas concentrações para esta quarta-feira em, pelo menos, três hospitais do país, localizados em Lisboa, Porto e Coimbra.

Mariana Mortágua juntou-se ao protesto dos médicos no Hospital de Santa Maria. Em declarações aos jornalistas, a coordenadora do Bloco acusou o primeiro-ministro de não querer ouvir os profissionais, os utentes, os especialistas e de não querer perceber “que os médicos estão exaustos, não conseguem trabalhar mais horas”.

A dirigente bloquista assinalou que o Governo “não consegue assegurar serviços básicos no SNS sem pedir aos médicos que lá estão para fazerem horas extraordinárias muito acima do que é legal”.

De acordo com Mariana Mortágua, “não vale a pena dizer aos médicos que vão receber mais por trabalharem mais dois meses ou três meses de horas extraordinárias acima do legal por ano”. “É preciso garantir mais salário para se manterem no SNS, mas com menos carga horária”, defendeu.

A coordenadora do Bloco lembrou que o partido está “há anos e anos a dizer ao Governo que é preciso um regime de exclusividade que pague um salário base superior aos médicos”.

Sobre a tentativa de António Costa de dividir os portugueses e os médicos, afirmando fazer parte do “sindicato dos portugueses” e não do “sindicato dos médicos”, Mariana frisou que é uma “lógica errada pôr utentes contra profissionais”.

“Os profissionais estão a lutar por um SNS para todos os utentes”, até porque “com falta de profissionais não se pode responder a todas as pessoas”, vincou a dirigente bloquista.

Lembrando que o executivo socialista tem beneficiado de várias “almofadas orçamentais”, Mariana lamentou a intransigência de António Costa no que respeita ao Serviço Nacional de Saúde.

A coordenadora do Bloco voltou a defender um suplemento salarial de 40% para médicos em exclusividade mas sem aumento das horas extraordinárias, que em muito ultrapassam o que é legal. Mariana afirmou que, caso o Governo não esteja disponível, mais uma vez, para implementar esta medida, mostrará que “vive bem com destruição do SNS”.

Greve com forte impacto nos hospitais e centros de saúde

No Hospital de Santa Maria concentraram-se cerca de 150 médicos, entre os quais muitos internos.

Na letra de uma canção que se fez ouvir durante o protesto, a mensagem para o ministro da Saúde é clara: “Manuel Pizarro és muito hábil a falar, mas para salvar o SNS é preciso contratar”. Várias outras mensagens foram dirigidas ao Governo, seja através das palavras de ordem entoadas ou das frases inscritas nos autocolantes exibidos pelos médicos: “É preciso cuidar de quem cuida”, “É preciso salvar o SNS” e “Sou Médico, Quero condições de trabalho digno”.

Tânia Russo, dirigente da FNAM, afirmou, em declarações à agência Lusa, que a adesão à greve a nível nacional "é elevadíssima"e está a afetar consultas e cirurgias, em hospitais e centros de saúde de todo o país.