Médicos dos centros de saúde em greve às horas extraordinárias por três meses

16 de dezembro 2024 - 11:29

A FNAM acusa o Ministério da Saúde de tentar impor a “banalização da prestação do tempo extraordinário” e de “condicionar o acesso dos utentes ao seu médico de família”. O ano novo vai começar com greve às horas extraordinárias.

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Centro de saúde
Centro de Saúde. Foto de Paulete Matos.

A Federação Nacional dos Médicos informa esta segunda-feira em comunicado que emitiu um pré-aviso de greve ao trabalho extraordinário para os médicos dos cuidados de saúde primários que abrange o primeiro trimestre de 2025.

A estrutura sindical diz que o Ministério da Saúde, liderado por Ana Paula Martins, está a tentar impor a “banalização da prestação do tempo extraordinário” e “condiciona o acesso dos utentes ao seu médico de família”. Explica-se que a intenção de o executivo retirar os médicos de família do trabalho normal nas suas unidades do Serviço Nacional de Saúde durante a semana “tem como consequência reduzir as consultas de saúde materno-infantil, hipertensão arterial, diabetes e para episódios agudos”.

Outra crítica ao Governo é sobre a imposição de marcação direta de consultas para utentes não inscritos nas respetivas unidades através da linha SNS 24. Considera-se esta uma “manobra” que “não só é ilegal, como prejudicará a realização de consultas programadas e de doença aguda, falhando aos utentes inscritos e em seguimento nas unidades”.

A FNAM exige que “sejam respeitados os limites, já de si excessivos, das listas de utentes dos MF, e que seja salvaguardada a contratualização de carteiras adicionais para garantir o acesso e a qualidade do atendimento”.

Os médicos querem ainda que se substitua a “propaganda” e o “ruído” por uma negociação “séria” que beneficiará não só os trabalhadores como os utentes, que são “os maiores prejudicados com as políticas desastrosas em vigor”.

A possibilidade de prolongar a greve até ao final do primeiro semestre e avançar “para outras formas de luta” é também colocada “se o Ministério da Saúde persistir na violação dos procedimentos da contratação coletiva, e a negociar apenas para gerir sua imagem pública face à tragédia da sua governação”.