De acordo com a agência AFP, "Fim do mundo, fim do mês, mesma luta" foi uma das palavras de ordem dos milhares de manifestantes que encheram a praça da Ópera, em Paris, antes de iniciarem a marcha até à praça da República. "Sem petróleo a festa é mais louca" e "Macron estás lixado, pandas estão na rua" foram algumas das frases escritas nos cartazes empunhados durante a marcha.
O ativista ecológico e diretor do documentário "Amanhã", Cyril Dion, pediu uma "convergência com os `coletes amarelos´" em declarações aos jornalistas durante a marcha pelo clima.
No seu entender, a "causa e a destruição dos ecossistemas está no atual modelo económico".
No total, existiram mais de 200 eventos em França relacionados com o protesto em defesa do clima. Cerca de 140 organizações, do Greepeace à Fundação Nicolas Hulot, alertaram que é "altura de mudar os sistemas industrial, político e económico, para proteger o meio ambiente, a sociedade e os cidadãos".
O Governo francês tem sido pressionado pelas organizações não-governamentais (ONG) ambientalistas a agir contra o aquecimento global, tendo uma petição sobre o tema recolhido mais de dois milhões de assinaturas em menos de um mês.
“Coletes amarelos” fazem “ultimato” ao “Governo e aos poderosos”
O movimento dos “coletes amarelos”, que teve início há quatro meses na sequência do aumento do preço dos combustíveis e que rapidamente passou a insurgir-se contra a política fiscal e social do presidente francês Emmanuel Macron, voltou às ruas este sábado.
A iniciativa marca o fim de um debate nacional organizado por Macron durante dois meses para responder às preocupações dos manifestantes, que estes consideram vazio e identificam como uma manobra eleitoral do presidente francês a pensar nas eleições europeias.
A publicação, na sua conta de Twitter, de Macron sobre o seu fim-de-semana nos Pirenéus com a família contribui para inflamar os ânimos de quem tem mais mês do que salário. Para tal, também contribuíram as declarações do ministro do Interior, que pediu mão forte às autoridades.
Na convocatória feita na internet, os organizadores dos protestos deste sábado sublinham esperar que este sirva como um “ultimato” ao “Governo e aos poderosos”.
Um grupo de manifestantes, "vestidos de preto e de cara tapada", lançou bombas de fumo, petardos e outros objetos contra a polícia, ergueu barricadas e queimou algumas lojas, restaurantes e viaturas. Mais uma vez, as autoridades francesas responderam com o uso discricionário de gás lacrimogéneo e canhões de água. Mais de 100 pessoas terão sido detidas e registou-se pelo menos uma dezena de feridos.