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Manifestação em Lisboa exigiu fim da ocupação da Palestina

Ativistas explicaram ao Esquerda.net quais as suas exigências face à comunidade internacional, defendendo que, “para travar a violência, é preciso o fim da ocupação”. Novas iniciativas pela libertação da Palestina estão agendadas para os próximos dias 11, em Lisboa, e 14, no Porto.
Foto Esquerda.net.

A Praça Luís de Camões, em Lisboa, foi palco de uma manifestação pelo fim do apartheid e a libertação da Palestina, convocada pelo Coletivo pela Libertação da Palestina (CLP), e à qual se juntaram muitas outras organizações e ativistas.

Ao som de palavras de ordem como “Palestina vencerá” ou “Huriya” (árabe para “Liberdade”), o espaço encheu-se de bandeiras palestinianas e cartazes em que podia ler-se "Abaixo o apartheid", "Resistência não é terrorismo" ou "Libertem a Palestina já".

No próximo dia 11, em Lisboa, realizar-se-á o ato público "Liberdade para o povo palestino! Paz no Médio Oriente!". Organizada pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (link is external), CGTP e , a iniciativa terá lugar no Martim Moniz, pelas 18hternal). Para dia 14, no Porto, está convocada, pelo Coletivo pela Libertação da Palestina (CLP), uma nova iniciativa pela libertação da Palestina, que terá lugar em frente à Cadeia da Relação, pelas 17h.


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“Povo palestiniano vive numa prisão a céu aberto”

Ricardo Ribeiro, do CLP, lembrou, em declarações ao Esquerda.net, que a ocupação da Palestina dura há mais de 75 anos, e que o povo palestiniano tem sido alvo de um verdadeiro “massacre”. Conforme sublinhou, só em 2023, mais de 200 palestinianos foram assassinados por Israel. E isso “não faz manchetes [de jornais], porque é algo estrutural, que acontece diariamente e que tem vindo a ser totalmente banalizado”, assinalou.

“Acreditamos no direito a resistir a uma ocupação colonial que não é muito diferente das ocupações coloniais que tivemos no século passado”, enfatizou o ativista.

“O que está a acontecer na Palestina não é apenas uma ação do Hamas", continuou Ricardo Ribeiro, recusando um “mundo dicotómico e maniqueísta em que só existe o Hamas ou a solidariedade com Israel”. “Óbvio que não apoio o Hamas, que é um grupo ditatorial e autoritário, mas em nenhum momento podemos pôr em causa o direito à resistência do povo palestiniano”, frisou.

Esta ideia foi reforçada pela investigadora e ativista palestiniana Shahd Wadi, que destacou que os acontecimentos do dia 7 de outubro, com o ataque do Hamas contra Israel, “começaram há muitos anos". Shahd Wadi, a viver em Portugal há 17 anos, deu o exemplo da vila em que nasceu, que "foi ocupada e apagada do mapa há 45 anos”. “A Palestina está a sofrer a opressão do sistema de apartheid israelita há mais de 75 anos e o povo palestiniano vive numa prisão a céu aberto”, referiu.

Shahd Wadi.

A ativista lamentou que os media apresentem os acontecimentos como se se tratasse meramente de um conflito entre Hamas e Israel. Shahd Wadi realçou que não apoia “as políticas do Hamas, e que a maior parte do povo palestiniano está contra o Hamas, mas está do lado da resistência”.

A investigadora alertou ainda que Israel utiliza o Hamas como um “pretexto” para pedir à comunidade internacional “uma licença para continuar a limpeza étnica, agora a uma escala ainda maior”.

“Para travar a violência é preciso o fim da ocupação”

Shahd Wadi afirmou que a comunidade internacional não pode esperar que o povo palestiniano “fique de mãos atadas” enquanto é sujeito à violência atroz de Israel. “É preciso acabar com o sistema de apartheid”, vincou.

À comunidade internacional, Ricardo Ribeiro exige que não “compactue com a estratégia utilizada desde o início deste projeto colonial israelita, que é o da punição coletiva”.

E que os diferentes países e instituições internacionais “exijam a Israel aquilo que se exigia durante as lutas de libertação nacional contra o império colonial português, e que se exigia durante o apartheid de África do Sul: o fim do império colonial, neste caso, o fim do apartheid israelita”.

Ricardo Ribeiro realçou que é preciso “fazer o mesmo que se fez, por exemplo, no caso da invasão Rússia da Ucrânia, e que é boicote, desinvestimento e sanções a Israel até acabarmos com esta ocupação”. O ativista recordou que “dissemos à Ucrânia que podia lutar contra a ocupação” e pusemos em marcha medidas para “sancionar o opressão”, mas fazemos exatamente o contrário no caso da Palestina, defendendo o agressor.

“Para travar a violência é preciso o fim da ocupação”, rematou Ricardo Ribeiro.

Ricardo Pereira.

A ideia é partilhada por Elsa Sertório, membro do Comité de Solidariedade com a Palestina, que alertou que “a violência só acaba quando acabar a causa da violência, que é a opressão colonial”.

De acordo com a ativista, o que se deve exigir é “que se acabe com a impunidade de Israel”, que se avance com sanções e se pressione o governo de Netanyahu a acabar com a ocupação. De imediato, Israel deve libertar todos os prisioneiros nas prisões israelitas, mantidos como verdadeiros reféns do regime de apartheid.

Sobre a importância das mobilizações pela libertação da Palestina, Elsa Sertório destacou que é importante contrariar a voz de “quem tem poder para se fazer ouvir” e mostrar que “nem toda a gente apoia Israel”.

Elsa Sertório.

A deputada do Bloco de Esquerda Isabel Pires também participou na iniciativa pela libertação da Palestina.

Lamentando “todas as mortes de civis”, a dirigente bloquista lembrou “as várias resoluções das Nações Unidas que têm indicado um caminho para a paz”.

Exatamente como foi defendido no caso da Ucrânia ou Timor, o Bloco defende de forma inequívoca o direito à autodeterminação do povo palestiniano.

 

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