Israel anuncia "cerco total" a Gaza

09 de outubro 2023 - 16:04

Ministro da Defesa diz que vai privar o território de água e comida. ONU alerta para mais de 123 mil deslocados na Faixa de Gaza. Mariana Mortágua condena morte de civis e diz que “a autodeterminação não se negoceia” nem na Palestina nem na Ucrânia.

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Foto de HAITHAM IMAD, Lusa/EPA.

Esta segunda-feira, o ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, anunciou que não irá deixar entrar em Gaza mais água, comida, eletricidade ou gás. “Estamos a lidar com selvagens e agiremos em conformidade”, anunciou o governante, numa altura em que as autoridades de saúde palestinianas alertam que os hospitais estão  a ficar sem combustível, medicamentos e materiais de uso médico.

As Nações Unidas afirmam que 123.538 pessoas foram deslocadas em Gaza. Segundo o Gabinete de Coordenação para os Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), mais de 17.500 famílias "receiam a sua proteção e a destruição das suas habitações". O OCHA adianta ainda que 73 mil pessoas estão abrigadas em escolas e alerta para a escassez de alimentos na região.

Adnan Abu Hasna, porta-voz da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), adverte, por sua vez, que é expectável que estes números se agravem.

No sábado, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deixou uma mensagem clara ao povo de Gaza: “saiam daí agora, porque estamos prestes a agir em todos os lugares com toda a nossa força”.

Desde o ataque surpresa do Hamas, já foram contabilizados pelas Forças de Defesa de Israel mais de 700 mortos e 2.150 feridos no país. Por sua vez, o Ministério da Saúde palestiniano em Gaza informou, em comunicado, que os bombardeamentos promovidos por Israel naquela região já causaram 413 mortos, incluindo 78 crianças e 41 mulheres, e 2.300 feridos.

Bombardeamentos israelitas intensificam-se, a par de apoio de EUA e Alemanha

Na madrugada desta segunda-feira, as Forças de Defesa de Israel promoveram vários ataques a Gaza para garantir “um golpe fatal nas capacidades” do Hamas. Durante as investidas noturnas, foram utilizados aviões de combate, helicópteros e artilharia.

Entretanto, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, anunciou a ativação de una ordem "de emergência" para que a Divisão de Licenças de Armas de Fogo permita que os civis se armem no contexto da guerra contra o Hamas.

Os EUA, que desde o primeiro momento, destacaram o seu “compromisso inabalável” com o direito de Israel “de se defender” já destacaram para o leste do Mar Mediterrâneo um grupo de ataque de porta-aviões da Marinha.

O secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin acrescentou que a administração Biden "fornecerá rapidamente às forças de defesa de Israel equipamentos e recursos adicionais, incluindo munições", e "a primeira assistência de segurança começará a avançar hoje e chegará nos próximos dias".

Já o governo alemão, pela voz da ministra alemã da Cooperação e Desenvolvimento, Svenja Schulze, referiu que a Alemanha vai reexaminar a ajuda financeira que o país canaliza para os territórios palestinianos, e que se destinam a ajuda humanitária e desenvolvimento económico.

Dadas as primeiras notícias da operação lançada pelo Hamas a partir de Gaza e a declaração do “Estado de guerra” por Netanyahu, as potências europeias manifestaram-se para prestar o seu apoio incondicional ao Estado de Israel.

“Condeno inequivocamente o ataque realizado pelos terroristas do Hamas contra Israel. É o terrorismo na sua forma mais desprezível. Israel tem o direito de se defender de ataques tão atrozes”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen.

O mesmo aconteceu com o Governo português, com o ministro João Gomes Cravinho a afirmar na rede social X que "Israel tem o direito de se defender".

"Estes ataques nada resolverão, contribuindo apenas para piorar a situação na região. Estamos solidários com Israel e oferecemos condolências pelas vítimas", escreve o governante.

Bloco condena morte de civis e diz que “a autodeterminação não se negoceia” nem na Palestina nem na Ucrânia

Questionada pelos jornalistas esta segunda-feira sobre a situação, à saída de uma visita a uma creche municipal em Paredes, Mariana Mortágua disse que “não há quem não tenha ficado chocado com o que aconteceu nos últimos dias” e que “não há outra coisa a fazer a não ser condenar todos os ataques a civis”. Em seguida lembrou que o Bloco também condenou, mesmo apesar de os jornalistas não terem perguntado na altura, os ataques “a milhares de civis e crianças palestinianas assassinadas pelo estado de Israel, um regime de apartheid, de limpeza étnica, de violência de Estado”.

“Entendemos que a Palestina tem direito à defesa da sua autodeterminação, como a Ucrânia tem direito à sua autodeterminação quando a Rússia invade o seu espaço, como Timor teve direito à sua autodeterminação quando a Indonésia invadiu o seu espaço e assassinou civis”, resumiu a coordenadora do Bloco, sublinhando que “a autodeterminação não se negoceia, é um princípio que se aplica à Palestina ou à Ucrânia”.

Insistindo que “a morte de civis deve sempre ser condenada”, Mariana Mortágua entende que “enquanto houver apartheid e um regime que tem uma política de destruição em massa de outro povo, não pode haver paz”. Por outro lado, recordou que as Nações Unidas reconhecem o direito de luta pela autodeterminação da Palestina e também reconhecem “as fronteiras que deveriam ter impedido Israel de ocupar, matar, assassinar milhares de inocentes na Palestina”.