Os primeiros dados avançados pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) dão conta de uma adesão acima dos 75% à greve dos trabalhadores da higiene urbana no município.
Nuno Almeida, presidente do STML, adiantou que ainda não têm os dados todos dos oito local de trabalho mas que "temos contabilizados dois e os dados de adesão estão acima dos 75%. Para já, basicamente, o que se está a fazer são os serviços mínimos que o colégio arbitral determinou".
A greve foi convocada pelo STML e pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL). Desde quarta-feira e até dia 2 de janeiro, os trabalhadores estão em greve às horas extraordinárias, mas dias 26 e 27 de dezembro está também decretada uma greve geral, com serviços mínimos decretados.
No entanto, o STML e o STAL discordam da decisão do colégio arbitral da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público, por considerarem que os serviços mínimos decretados são "serviços mínimos máximos" e representam "uma limitação ao direito à greve". Os sindicatos apresentaram na segunda-feira uma contestação junto dos tribunais, com uma reclamação e uma providência cautelar para anular ou minimizar os serviços mínimos decretados, segundo a Lusa.
Nos serviços mínimos estão incluídos 71 circuitos diários de recolha de lixo, envolvendo 167 trabalhadores, entre cantoneiros e condutores de máquinas pesadas e veículos especiais.
Nuno Almeida, presidente do STML, explicou que "os trabalhadores têm sentido um grande desrespeito por parte do Executivo, desde logo no não cumprimento dos compromissos assumidos em 2023". Mas é também uma greve "contra o desinvestimento público" de um sistema que com dificuldades prejudica os cidadãos da cidade.
O dirigente sindical afirmou que "Carlos Moedas mente quando diz que estava a cumprir 80% do acordo". Segundo as contas do sindicato, nem 40% do acordo está cumprido.
O vereador em substituição do Bloco de Esquerda, Ricardo Moreira, esteve presenta na manifestação, onde falou com os trabalhadores da higiene urbana e demonstrou a sua solidariedade.
Em declarações, Ricardo Moreira afirmou que "os trabalhadores têm razão para a greve" porque Moedas "não cumpriu o acordo que fez com os trabalhadores", o que é "falso". O representante do Bloco de Esquerda acusou a Câmara Municipal de Lisboa de "má gestão", que se reflete na "crise do lixo que as pessoas que vivem e trabalham em Lisboa sentem todos os dias".
O autarca considerou esta greve importante "para chamar a atenção do problema da higiene urbana da cidade de Lisboa".
Lembre-se que os sindicatos marcaram a greve devido à ausência de respostas do executivo municipal. Segundo os trabalhadores da higiene urbana, faltam viaturas essenciais e força de trabalho. Em vez de negociar com os sindicatos, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa implementou várias medidas para minimizar os efeitos da greve.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa assumiu a tentativa de minimização da greve, afirmando que os sindicatos não estão disponíveis para negociar.