Os trabalhadores de higiene urbana em Lisboa marcaram greve geral de dois dias, a 26 e 27 de dezembro, fazendo também uma greve ao trabalho suplementar [extraordinário] no período de 25 a 31 de dezembro. É a decisão dos trabalhadores perante as “não respostas” de Carlos Moedas.
A decisão foi tomada nos plenários de trabalhadores realizados na última semana de novembro. Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa responsabiliza “os compromissos assumidos e não cumpridos” e as “opções políticas” do Executivo, que “permitiram abrir portas ao setor privado para a realização de determinadas funções associadas ao serviço público de higiene urbana, em todas as dimensões inaceitável”.
O sindicato salienta a “incapacidade” da CML em organizar “a força de trabalho que tem à sua disposição” e em responder aos problemas que se vivem na Limpeza Urbana. É ainda criticada a postura de priorizar “o setor privado como remédio para todos os males, quando a experiência histórica comprova claramente o contrário”.
A greve, acordada entre o STML e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL), tem entre as principal reivindicação o cumprimento do acordo já celebrado em junho de 2023, que contempla obras nas instalações, abertura dos bares, respeito pelo direito à conciliação entre a vida profissional e pessoal, o fim do assédio laboral, entre outras. Entre as reivindicações estão também o fim das externalizações, o investimento no setor, o respeito pelos direitos dos trabalhadores.
O STML sublinha também que “A luta dos trabalhadores da Higiene Urbana poderá não terminar nesta época do Natal. Caberá em exclusivo ao Executivo Municipal avaliar as suas opções e soluções aos vários problemas que urge resolver”,
Em vez de responder às reivindicações dos trabalhadores e negociar com os sindicatos, o Executivo de Carlos Moedas apresentou esta quarta-feira um plano de emergência para responder à greve com o objetivo de a mitigar. Entre as medidas estão a colocação dos funcionários em teletrabalho, a colocação de contentores de obras pela cidade e a criação de equipas de intervenção rápida para resolver os problemas mais graves.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa afirmou que “os lisboetas vivem dias muito difíceis” e que a greve “será muito injusta para os lisboetas”, mas recusa-se a negociar com os sindicatos na base do seu caderno reivindicativo.