Mais de 60 migrantes morrem depois de 41 dias à deriva no mar

17 de agosto 2023 - 15:10

Navio de pesca com mais de 100 requerentes de asilo viajava do Senegal para as Ilhas Canárias. A partir do sétimo dia de viagem, esgotaram os mantimentos. Autoridades recuperaram restos mortais de sete pessoas. Outras 56 pessoas estão desaparecidas.

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Foto Pixabay.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), citada pela AFP e Reuters, avançou esta quarta-feira que, pelo menos, 63 requerentes de asilo morreram à deriva, e que entre os 38 sobreviventes figuram quatro crianças com idades entre 12 e 16 anos. As autoridades recuperaram os restos mortais de sete pessoas, mas 56 pessoas continuam desaparecidas. “Geralmente, quando as pessoas são dadas como desaparecidas após um naufrágio, elas são consideradas mortas”, explicou um porta-voz da OIM.

A embarcação de pesca de madeira foi avistada na segunda-feira no Oceano Atlântico, na costa oeste da África, a cerca de 277 quilómetros da ilha cabo-verdiana do Sal. Existem versões diferentes sobre a data de partida da costa senegalesa, que apontam para os dias 7 ou 10 de julho.

Num relatório citado pela agência Lusa, a Cruz Vermelha explica que “até serem encontrados, [os migrantes] estiveram 41 dias à deriva e a partir do sétimo dia esgotaram os mantimentos, o que custou a vida a mais de 50% dos ocupantes, que foram lançados ao mar devido à decomposição dos corpos”.

"Dos 45 migrantes, sete chegaram em estado de cadáver, sendo logo encaminhados para a morgue do hospital regional Ramiro Alves Figueira para possível efeito de identificação. Do total dos sobreviventes, 38, todos do sexo masculino, 37 de nacionalidade senegalesa e um da Guiné-Bissau, há a destacar quatro sobreviventes adolescentes de idades entre 12 a 16 anos", refere a missiva.

A OIM lembra que a rota de migração atlântica do oeste da África para as Ilhas Canárias é uma das mais mortais do mundo.

“Estão a faltar caminhos seguros e regulares para a migração, o que dá espaço para contrabandistas e traficantes colocarem pessoas nessas jornadas mortais”, frisou a OIM.

Pelo menos 559 pessoas morreram ao tentar chegar às Ilhas Canárias em 2022, enquanto 126 pessoas morreram ou desapareceram na mesma rota nos primeiros seis meses deste ano, com 15 naufrágios registados. Em julho, outras 15 pessoas morreram afogadas quando um barco naufragou na costa da capital do Senegal, Dakar.

Na segunda-feira, pelo menos 11 migrantes morreram na segunda-feira e sete continuam desaparecidos depois de o barco em que viajavam ter naufragado na costa da Tunísia. Na semana anterior, outras 41 pessoas teriam morrido depois de um barco ter afundado no mar agitado na ilha italiana de Lampedusa, no Mediterrâneo central.