O grupo Jerónimo Martins, dono do Pingo Doce, comunicou à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) os resultados relativos aos primeiros nove meses do ano, período durante o qual registou um resultado líquido de 558 milhões de euros, o que representa um crescimento de 33,3% face aos 419 milhões verificados no mesmo período do ano passado. As vendas do grupo cresceram 22,1% para 22,5 mil milhões de euros, enquanto a margem, que equivale à diferença entre as vendas e os custos das vendas, subiu 18,3%, para 4,6 mil milhões de euros. Já o resultado antes de juros, impostos, apreciações e amortizações (EBITDA, na sigla inglesa) registou um acréscimo de 18%, fixando-se em 1,6 mil milhões de euros. A margem de EBITDA fixou-se em 7,1%, abaixo dos 7,3% registados no período homólogo.
Em Portugal, o Pingo Doce apresentou um “desempenho robusto”, com um crescimento nas vendas de 8,8%, atingindo os 3,5 mil milhões de euros. No terceiro trimestre subiram 9,3%, ascendendo a 1,3 mil milhões de euros.
No Recheio, as vendas subiram 18,1% e ultrapassaram, pela primeira vez, os mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.
Na Polónia, a Biedronka faturou 15,8 mil milhões de euros, mais 24,2% face ao período homólogo, e, na Colômbia, a Ara viu as suas vendas crescerem 35,5%, para 1,8 mil milhões de euros.
“Concluídos os primeiros nove meses do ano, podemos afirmar que nos mantivemos consistentemente fiéis às prioridades que assumimos, e fomos capazes, num contexto difícil, de ser a primeira escolha dos consumidores, aumentar vendas, e proteger a eficiência, a rentabilidade e a sustentabilidade dos nossos negócios”, destaca o Presidente do Conselho de Administração, Pedro Soares dos Santos.
O grupo Jerónimo Martins considera que os resultados positivos se devem à “determinação em manter os preços baixos, sem nos desviarmos da melhoria constante da oferta e da experiência de compra que proporcionamos a quem nos visita, e da execução do programa de investimento que definimos”.
Ainda assim, Pedro Soares dos Santos afirmou que o grupo está consciente de que, nos próximos meses, continuará “a ter de gerir a pressão sobre os negócios resultante do cruzamento de duas forças contrárias: a queda acentuada da inflação alimentar e a forte inflação dos custos”, o que vai requerer das suas equipas, “aos mais variados níveis da organização, um elevado sentido de foco e disciplina, e um compromisso renovado com a liderança de preço nos diferentes mercados em que operamos”.
Em Portugal, o Pingo Doce enfrenta várias ações coletivas com base nas “discrepâncias gritantes” entre o preço dos produtos anunciado nas prateleiras e o valor efetivamente cobrado nas caixas.
Recentemente, foi ainda divulgado, pelo Jornal de Negócios (link is external), que o montante acumulado da dívida da Jerónimo Martins ao Estado, por não pagamento da Taxa de Segurança Alimentar Mais, criada em 2012, já ultrapassa os 32 milhões de euros.