Lisboa vai finalmente ter a Rua Georgina Ribas

25 de novembro 2023 - 12:10

Mulher negra, pianista, professora de música, feminista e destacada ativista anti-racista e no Movimento Negro, Georgina Ribas vai estar presente na toponímia da capital.

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Foto de Georgina Ribas publicada no África Magazine.
Foto de Georgina Ribas publicada no África Magazine.

A proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda de que o nome de Georgina Ribas fosse atribuído a uma rua da cidade de Lisboa foi “finalmente” aprovada pelo executivo camaráriio, informa o gabinete da vereadora Beatriz Gomes Dias.

O partido salienta que vai continuar com a sua “determinação para corrigir a desigualdade de género, raça e classe na toponímia da cidade” e traça um perfil da “notável pianista, professora de música, antirracista e feminista, com um papel de destaque na vida associativa da cidade de Lisboa e no Movimento Negro de 1911-1933, a geração pan-africanista e antirracista que marca os primórdios do movimento negro organizado em Portugal, colocando o combate antirracista no centro da sua intervenção política através da criação de partidos, associações e jornais que desafiavam a ideologia racista e confrontavam a discriminação racial, exigindo políticas de igualdade de direitos para as pessoas negras”.

Georgina de Carvalho Ribas nasceu em Ambriz, Angola, a 22 de abril de 1882. Era filha de um comerciante de Lisboa e de uma angolana e veio viver para Lisboa aos três anos de idade. Pianista, graduou-se pelo Conservatório da cidade e tornou-se professora de música.

Bastante ativa em termos comunitários, participa da direção da Liga das Mulheres Africanas, a partir de 1929 e integra o Partido Nacional Africano, um grupo que no início dos anos 1930 tinha milhares de militantes em Lisboa. Outro dos grupos onde participa é o Grémio Ké-Aflikana, igualmente chamado Grémio Africano do qual foi vice-presidente. Faleceu a 4 de maio de 1951, aos 69 anos de idade, vítima de cancro.