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Linha de Sintra: redução de horários da CP coloca utentes em risco

A redução de horários dos comboios impede o distanciamento social recomendado pelas autoridades de saúde. A deputada Isabel Pires volta a questionar o Governo na sequência de denúncia dos utentes.
Foto partilhada no Facebook da Comissão de Utentes da Linha de Sintra.

A CP - Comboios de Portugal procedeu a uma redução substancial da oferta de transporte público. Entre 9 de abril e 14 de abril, horários da Páscoa, e a partir de dia 14 de abril, está em vigor uma redução de horários que se aplica quer aos comboios de longo curso, quer aos regionais e urbanos.

No comunicado da CP pode ler-se que “a oferta de comboios foi ajustada, reduzindo o número de circulações em conformidade com o regime excecional de exercício do direito de deslocação dos cidadãos em território nacional."

Apesar das justificações dadas pela CP, o horário da Páscoa, iniciado na quinta-feira e que termina na terça, já deu problemas. A Comissão de Utentes da Linha Sintra denunciou na passada quinta-feira o resultado preocupante nessas alterações: “na linha de Sintra ‘oferta de comboios ajustada’ traduz-se, grosso modo, em 2 comboios em cada sentido por hora”. Não só “muitos passageiros não estavam cientes destas alterações”, como apesar do feriado de sexta e da tolerância de ponto para trabalhadores do Estado, “há muitos milhares de trabalhadores e de outros passageiros que dependem do serviço de comboio para fazer deslocações essenciais”.

A Comissão de Utentes acusa: “as decisões de gestão e planeamento da CP colocam em risco a vida de milhares de passageiros, muitos deles trabalhadores essenciais nos mais diversos sectores de actividade. Com uma oferta tão reduzida é impossível cumprir distâncias de segurança”. Os utentes criticam a pouca antecedência da divulgação das alterações de horário, e consideram que ser “imperativo que a oferta seja imediatamente reposta para assegurar que os passageiros viajam de forma segura!”

Perante esta situação, a deputada Isabel Pires questionou novamente o Governo sobre os problemas na Linha de Sintra. Já no dia 20 de março, o Ministério das Infraestruturas e Habitação tinha sido questionado pelo Bloco de Esquerda “relativamente às condições de viagem nos comboios suburbanos (além de um conjunto de questões sobre condições de trabalho)”. O problema nessa altura era “uma redução do número de carruagens que gerou preocupação, já que os utentes que ainda necessitavam de utilizar este transporte viajavam sem condições de assegurar as distâncias de segurança já na altura preconizadas pela Direção Geral de Saúde (DGS)”.

Em resposta, no dia 26 de março, o Ministério dava nota de que as medidas tomadas pela CP tinham sido articuladas com a tutela, bem como respondiam às diretrizes da DGS. No entanto, afirma Isabel Pires, “os relatos de vários utentes em várias linhas davam conta exatamente de carruagens em que, claramente, não era possível manter a distância recomendada”. 

O objetivo das perguntas agora colocadas é saber se Ministério das Infraestruturas e da Habitação tem “conhecimento das situações descritas das condições de viagem nas linhas suburbanas, que não estão a garantir a existência de distância recomendada para os e as utentes poderem viajar em condições de segurança”. Isabel Pires pergunta por medidas do Ministério e insiste na gravidade da repetição do problema: “considerando que já não é a primeira vez que tal situação ocorre e é reportada, como pretende o Ministério, em conjunto com a CP – Comboios de Portugal, assegurar uma gestão mais equilibrada da oferta à situação que vivemos, garantindo a segurança e saúde de utentes?”.

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