Em comunicado, a associação SOS Racismo manifesta o seu pesar e indignação perante a morte de Umo Cani, “uma mulher negra, imigrante e trabalhadora, vítima de uma dupla violência: a negligência médica e o racismo institucional que a alimenta”.
Para a associação, este não é um caso isolado, pois “a violência obstétrica é um calvário a que as mulheres racializadas estão submetidas há décadas” e reflete “um sistema de saúde marcado por desigualdades estruturais, onde mulheres negras e imigrantes são frequentemente invisibilizadas, desacreditadas e maltratadas”.
Presidenciais
“Não é aceitável que a ministra apele a sentimentos xenófobos para minorar a tragédia”
As palavras da ministra da Saúde no Parlamento, além de “inaceitáveis e falsas”, revelam “uma visão desumanizadora e profundamente racista”, prossegue o comunicado.
“Ao afirmar, sem confirmação, que Umo Cani ‘não tinha acompanhamento’ e que ‘há mulheres que vêm a Portugal apenas para fazer o parto’, a Ministra reproduziu um discurso racista e xenófobo, um discurso que falta à verdade, um discurso que culpabiliza as vítimas e que legitima o abandono e desresponsabiliza o governo na sua missão primordial de garantir o bom funcionamento dos serviços públicos e a integridade e dignidade humana em qualquer circunstância nos mesmos”, acusa a SOS Racismo.
Por estas razões, a associação defende a demissão de Ana Paula Martins e m inquérito independente e célere às circunstâncias da morte de Umo Cani e do seu bebé, além da responsabilização de “todas as pessoas envolvidas na cadeia de comando que resultara na negligência que custou a vida à Umo e ao seu bebé” e a implementação urgente de políticas antirracistas no Serviço Nacional de Saúde, com formação obrigatória em igualdade racial, de género e direitos humanos.
“Umo Cani não morreu por acaso. Morreu porque o racismo mata, até nos hospitais onde se devem salvar vidas”, conclui a SOS Racismo, apelando a que “o nome de Umo Cani seja lembrado e respeitado, como símbolo de todas as mulheres racializadas que o Estado português continua a violentar e a desproteger”.