À margem de um encontro com a comunidade portuguesa em Bruxelas, a candidata presidencial Catarina Martins foi questionada pelos jornalistas sobre o último escândalo associado à ministra da Saúde, que disse aos deputados que a grávida que morreu na sexta-feira à chegada ao hospital Amadora-Sintra nunca tinha sido seguida no SNS, quando depois se veio a saber que teve consultas tanto naquele hospital como no centro de saúde de Agualva-Cacém desde julho. Como sempre, a ministra descartou responsabilidades por ter mentido aos deputados e delegou-as na administração da ULS Amadora Sintra, cujo presidente apresentou a demissão. Ana Paula Martins não foi capaz de fazer um pedido de desculpas à família de Umo Cani e da sua bebé, que morreu um dia depois da mãe.
“Acho que a ministra neste momento é a cara da insensibilidade e da incapacidade de resposta e, por isso, não terá a capacidade de construir as respostas que é preciso”, defendeu Catarina Martins, citada pela Lusa, lembrando o acumular de “demasiados casos trágicos" que estão a “provocar uma sensação de insegurança muito grande, de injustiça e de dor”.
“O caso é muito trágico e terá seguramente responsáveis. O que não é admissível é que uma ministra da Saúde dê informações erradas [no parlamento] sobre o caso, que apele a sentimentos xenófobos para minorar a tragédia. Isso não é aceitável e é por isso que não tem condições para continuar no cargo ou também por isso”, prosseguiu a candidata às eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Catarina referia-se às declarações da ministra aos deputados, onde sugeriu que Umo Cani seria mais um caso do grupo que descrevera anteriormente, de grávidas que vêm a Portugal apenas para fazer o parto, “grávidas que nunca foram seguidas durante a gravidez, que não têm médico de família, grávidas recém-chegadas a Portugal, com gravidezes adiantadas, que não têm dinheiro para ir ao privado, grávidas que algumas vezes nem falam português, que não foram preparadas para chamar o socorro, por vezes nem telemóvel têm”.
Sobre a situação do SNS português, que “já esteve em melhor saúde”, Catarina defendeu que “as respostas públicas de saúde fortes, universais, gratuitas, são fundamentais”. E quando essas respostas funcionam mal, “temos de ter a coragem de reinventar e temos de ter a coragem de novas fórmulas que garantam realmente o acesso à saúde à população sem descurar o que temos de bom”, concluiu