Utentes da Linha de Sintra exigem fim da supressão e de atrasos nos comboios

04 de fevereiro 2020 - 11:00

Comissão de Utentes da Linha de Sintra quer também a melhoria das condições de circulação, investimento em novos comboios e renovação das estações. Hoje são discutidas as propostas para o OE sobre o reforço do material circulante da CP.

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Utentes da Linha de Sintra exigem fim da supressão e de atrasos nos comboios
A Linha de Sintra liga Lisboa a Sintra, passando ainda pela Amadora, e é responsável pelo transporte diário de milhares de pessoas. Foto de esquerda.net.

Os utentes da Linha de Sintra estão concentrados desde as 8h na estação da Amadora, em protesto contra a supressão e atrasos de comboios que ocorrem diariamente.

“Estamos fartos de supressões e atrasos, de condições de circulação indignas – precisamos de comboios com conforto. Este protesto é mais uma das iniciativas da Comissão de Utentes para melhorar o serviço público na Linha de Sintra”, explicou ao esquerda.net Vasco Ramos, representante da Comissão de Utentes da Linha de Sintra. A Linha de Sintra é aquela que faz a ligação de Lisboa a Sintra, passando ainda pela Amadora, e responsável pelo transporte de milhares de pessoas todos os dias.

Para a Comissão de Utentes, os problemas sentidos na CP – Comboios de Portugal, na REFER e na Linha de Sintra são a consequência de cerca de duas décadas de falta de investimento nos comboios e na infraestrutura associada. Os utentes chamam também atenção para o facto de o número de passageiros ter aumentado significativamente com o surgimento do passe Navegante, sem que o número de comboios tenha acompanhado o aumento.

Esta concentração acontece precisamente no dia em que são discutidas as propostas para o Orçamento do Estado sobre o reforço do material circulante da CP.

“Nos comboios os passageiros viajam em condições de grande desconforto e insalubridade, apertados entre si e contra as portas. Em algumas estações, são notórias a degradação e sujidade (Queluz-Belas, Damaia), a falta de modernização e abrigo (Algueirão, Mem-Martins), ou a falta de condições para o atual tipo de utilização (Portela de Sintra)”, lê-se no folheto distribuído durante o protesto.

A deputada do Bloco de Esquerda Isabel Pires e a vereadora bloquista da Câmara Municipal da Amadora, Maria Deolinda Martin, marcaram presença na concentração. Isabel Pires fez saber que considera que as constantes supressões e atrasos são “um exemplo de quão mau está o serviço da CP”, que força os utentes a “andar em sardinha em lata” diariamente.

“Estamos aqui para dizer que é preciso um efetivo reforço do material circulante dos comboios da CP”, disse Isabel Pires.

No caderno de reivindicações da Comissão de Utentes da Linha de Sintra está a exigência, ao Governo e à CP, do aumento do número de comboios, sobretudo nas “horas de ponta”, investimento em novos comboios e na renovação das estações, o fim das supressões e dos atrasos, condições de transporte mais confortáveis e estações limpas e abrigadas do frio e da chuva.

Os utentes em manifestação organizaram um microfone aberto e empunhavam cartazes onde se podia ler “Basta de viajar em sardinha em lata”, “Chega de atrasos” e outras frases que exigiam melhor investimento no serviço público ferroviário.