Está aqui

Labour pode aprovar o acordo de Brexit em troca de novo referendo

Depois da saída de deputados dos principais partidos e da demissão de um secretário de Estado, os trabalhistas abrem a porta a uma nova possibilidade para sair do impasse gerado pelo acordo com a União Europeia. Um segundo referendo pode ser a solução.
Foto de Alex/Flickr

Os deputados Peter Kyle e Phil Wilson, do Labour, tinham apresentado uma proposta no início de fevereiro para desfazer os impasses à volta do Brexit. Contam com o apoio de alguns dos conservadores que são pela permanência na União Europeia. E agora é a própria direção do partido trabalhista que se junta ao grupo.

A proposta consiste em aprovar o acordo com a União Europeia, tal como for alcançando por Theresa May, em troca da realização um novo referendo.

Ao jornal The Guardian, um dos autores explicou que “a beleza deste plano é que tem aspetos que atraem tanto defensores da permanência como da saída. Para os defensores da saída, se o acordo for confirmado pelo povo britânico, oferece um final definitivo para o processo com o Brexit terminado de uma vez por todas. Para os defensores da permanência, por outro lado, oferece a hipótese para fazer campanha para o público baseada em factos e não em promessas como antes”.

Por isso, os autores da emenda esperavam convencer tanto May como Corbyn, como forma de resolver o impasse nos seus partidos que levou já à saída de vários deputados de ambos os partidos para criar uma bancada independente.

Corbyn, em meados de janeiro, tinha contraposto à chantagem de uma saída sem acordo, se o acordo alcançado favoravelmente pela primeira-ministra não fosse aprovado, a possibilidade do parlamento britânico votar a existência de um segundo referendo. Mas nunca chegou a esclarecer qual seria a posição do seu partido nessa votação parlamentar. A direção trabalhista sugere agora que uma reescrita da proposta de emenda que levaria a um novo referendo seja a solução. Os trabalhistas poderiam abster-se na votação do acordo tal como está redigido se fosse incluída a promessa do referendo. Na emenda constaria a ideia de que o parlamento “suspenderia o apoio” ao Brexit de May até que o povo se pronunciasse.

Desta forma, a 12 de março a proposta de um acordo “revisto” que May se comprometeu a levar ao parlamento iria ser acompanhada por esta votação.

Demissão no governo de May

Entretanto, a confusão sobre o Brexit continua a atingir o próprio governo britânico. Desta feita foi o secretário de Estado da Agricultura, George Eustice que se demitiu em protesto com a possibilidade de adiamento do Brexit que apresentou como “a humilhação final para o nosso país” depois de “uma série de recuos bastante indignos”. Eustice tinha-se candidatado pelo partido de extrema-direita Ukip em 1999 antes de entrar no Partido Conservador. A sua demissão aconteceu depois de, na passada quarta-feira, no parlamento os eurocéticos do partido terem mostrado o seu descontentamento através da abstenção (80) ou do voto contra (20) do agendamento das votações sobre este tema.

Termos relacionados Brexit, Internacional
(...)