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Karadzic condenado a prisão perpétua

O Tribunal Penal Internacional condenou Radovan Karadzic por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. O líder sérvio bósnio foi responsabilizado pelo massacre de Srebrenica e pelo cerco a Sarajevo.
Foto de Andrej Filev/wikicommons.

Em março de 2016, Radovan Karadzic tinha sido condenado a 40 anos de prisão pelo Tribunal Penal para a ex-Jugoslávia pela sua intervenção na guerra civil da Bósnia entre 1992 e 1995. Recorreu da sentença e, tendo o tribunal específico para os Balcãs fechado portas, foi agora a vez do Tribunal Penal Internacional (TPI) o julgar. O resultado foi o agravamento da pena: Karadzic foi condenado a pena perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

O conflito na Bósnia aconteceu no quadro da desintegração da Jugoslávia. Resultou em mais de cem mil mortes, 2,2 milhões de refugiados e um cortejo de atrocidades no coração da Europa. O massacre de Srebrenica e o cerco a Sarajevo foram dois dos seus episódios mais negros.

Karadzic, psiquiatra de formação, nesta altura com 73 anos, era então presidente da República Sérvia da Bósnia. A Bósnia, região multi-étnica onde os projetos nacionalistas sérvio e croata disputaram território de forma sangrenta, foi alvo de limpezas étnicas de ambos os lados, numa guerra onde o embate era também entre esferas de influência internacionais.

O braço militar de Karadzic, o general Ratko Mladic, tinha já antes sido condenado a prisão perpétua. Outra figura chave do conflito pelo lado sérvio, Slobodan Milosevic, presidente da Sérvia primeiro, da Jugoslávia depois, não chegou a ser condenado porque morreu de ataque cardíaco no decurso do seu julgamento.

Em Srebenica, durante 14 dias, oito mil homens e rapazes bósnios-muçulmanos foram sistematicamente executados pelo exército sérvio-bósnio numa zona que estaria supostamente sob proteção das Nações Unidas. A decisão anterior do Tribunal para a ex-Jugoslávia já tinha sido clara quanto ao que se passou: “ao procurarem eliminar uma parte dos muçulmanos da Bósnia, as forças sérvias da Bósnia cometeram genocídio. O intuito era a extinção dos 40 mil muçulmanos bósnios que viviam em Srebrenica.”

De acordo com o juiz responsável pelo processo mais recente, Vagn Prüsse Joensen, Karadzic tinha conhecimento de tudo o que se passava em Srebenica, que se enquadrava no plano para “remover permanentemente muçulmanos e croatas” da Bósnia, tornando-a parte da “Grande Sérvia”.

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