Jornalistas do JN vão recorrer “a todos os meios legais e judiciais”

18 de dezembro 2023 - 10:08

Manifesto divulgado este domingo pela redação do Jornal de Notícias assinala que a vida dos profissionais deste título “está transformada num calvário, apesar de, diariamente e com enorme empenho, fazerem um jornal que é economicamente sustentável".

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Capas do JN. Imagem Esquerda.net

No documento, intitulado “A administração e Nós”, a redação do Jornal de Notícias (JN) destaca as “múltiplas divergências” com a administração do Global Media Group (GMG), que detalha ser composta por oito pessoas. “Quatro administradores não executivos: Marco Galinha, chairman a quem cabe, por definição do cargo, fazer a ponte para os acionistas, Kevin Ho, Victor Ferreira e António Menezes. E quatro elementos da Comissão Executiva (CE): José Paulo Fafe, que preside, Filipe Nascimento, Diogo Agostinho e Paulo Lima de Carvalho”, referem os jornalistas.

Os profissionais enfatizam que “não há memória de um ataque tão violento à identidade do JN”, e que o título “não precisa de quem, todos os dias, desvaloriza o seu potencial”. “Precisa de pessoas dedicadas e laboriosas que aportem valor ao título. E precisa que os seus acionistas avaliem o prejuízo reputacional e económico causado pelas repetidas declarações públicas de José Paulo Fafe, em que coloca o GMG próximo da falência”, acrescentam.

A redação do JN escreve que “o ‘ambicioso projeto estratégico’ anunciado por José Paulo Fafe morreu. Uma de duas: ou não conhecia a realidade do GMG quando o gizou, o que é grave; ou conhecia e aceitou o repto, o que é ainda mais grave, uma vez que a concretização do projeto implicaria um corte brutal nos recursos humanos, matéria que ocultou aos trabalhadores do Grupo”.

“O tempo encarregou-se rapidamente de mostrar ao que vinha José Paulo Fafe. Vinha para, seguindo à risca o que está nos livros, acentuar o peso da realidade herdada, arranjar um bode expiatório e, finalmente, proclamar: ou isto ou o caos”, continuam os jornalistas.

E o “isto”, esclarecem, é “um permanente clima de guerra psicológica sobre todas as estruturas do JN, sustentada em declarações públicas que desvalorizam os títulos históricos da GMG, em particular o JN”.

Os profissionais apontam que “os largos milhares de mensagens”, que receberam aquando da greve por si protagonizada, “de leitores e figuras de todos os quadrantes políticos, económicos, culturais e sociais são a melhor prova da justiça” da sua luta e da “importância do JN no panorama nacional da Comunicação Social”. E estas manifestações de apoio que têm recebido reforçam o seu “ânimo e a vontade” para usar todas as suas forças “contra agendas que o tempo irá aclarar”.

“Sim, o JN dá lucro, apesar das absurdas dúvidas de José Paulo Fafe. Sim, o JN continua a ser mais lido do que alguns títulos de referência, como mostram os mais recentes dados do Bareme (379 mil leitores). Sim, o JN vende, em média, 23 mil exemplares por dia (dados de outubro), acima dos números erradamente apregoados em público pelo CEO. Sim, o JN tem um orgulhoso e vitorioso trajeto no digital (2,8 milhões de leitores, segundo o Net Audience da Marktest), que lhe valeram a liderança nacional em novembro. Sim, o JN é viável”, vinca a redação do título.

No manifesto, os jornalistas garantem que recorrerão “a todos os meios legais e judiciais para fazer valer os direitos dos seus trabalhadores, cuja vida está transformada num calvário, apesar de, diariamente e com enorme empenho, fazerem um jornal que é economicamente sustentável”.