Trust in News

Jornalistas dizem que o plano de Delgado vem tarde demais para salvar o grupo

31 de dezembro 2024 - 15:26

Luís Delgado apresentou plano para suspender algumas revistas e reestruturar dívidas a credores. Para os trabalhadores, estas medidas “fariam todo o sentido há um ano antes de a empresa perder a capacidade de pagar salários”.

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Capas das revistas da Trust in News
Capas das revistas da Trust in News

A assembleia de credores da Trust in News, o grupo que detém 16 órgãos de comunicação, incluindo as revistas Visão, Exame, Caras e o Jornal de Letras, está marcada para 29 de janeiro e a liquidação do grupo é um dos cenários em cima da mesa. Com o grupo afundado em dívidas, na maior parte ao fisco e à Segurança Social, a administração liderada por Luís Delgado foi substituída por um administrador de insolvência. Na audição parlamentar realizada este mês sobre a situação da Trust in News, Delgado tinha dito aos deputados que ainda assim iria apresentar um plano de reestruturação até 27 de dezembro.

O plano agora conhecido prevê a suspensão de oito títulos que não são rentáveis, entre os quais a revista Activa, a Caras Decoração, a Prima, a Visão Saúde, Visão Surf e This is Portugal e também a Courrier Internacional, que deixou de ser publicada em janeiro. Quanto ao número de trabalhadores, prevê “uma "redução proporcional ao encerramento das publicações e redução conjunta com reorganização do quadro de trabalhadores de todas as publicações que se mantêm”, refere a agência Lusa.

A reação dos trabalhadores ao plano de Luís Delgado, feita à Lusa pela delegada sindical da Visão, Clara Teixeira, é de que chega tarde demais e com medidas que “fariam todo o sentido há um ano antes de a empresa perder a capacidade de pagar salários”. Ao fim de “13 meses de salários em atraso com PER [Processo Especial de Revitalização] pelo meio, que foi chumbado" e "uma injeção de capital com que o acionista se comprometeu, mas que não cumpriu que permitiria pagar os salários em atraso e impostos ao Estado”, este plano não inspira confiança aos trabalhadores do grupo, que continuam na expetativa de verem apresentados planos alternativos por parte de credores ou propostas de compra dos títulos por parte de investidores que permitam salvar postos de trabalho.

Também o presidente do Sindicato dos Jornalistas veio sublinhar a forma tardia da apresentação do plano, quando “Luís Delgado teve todo o tempo para ter um plano”, deixando a empresa ir para insolvência no processo do PER. Luís Simões diz que os trabalhadores até já dão os salários em atraso como perdidos e que neste momento a sua grade preocupação “é preservarem os postos de trabalho” e os títulos "que são demasiado importantes para os deixar morrer".

Esta terça-feira a anterior gerência da Trust in News veio defender que o plano surge "no momento certo e adequado" e atribui responsabilidades pela situação atual não à sua gestão que acumulou dezenas de milhões de euros em dívidas nos últimos anos, mas a quem “interna e externamente conduziu a empresa para o abismo”, sem no entanto nomear a quem se refere. A anterior administração de Luís Delgado considera ainda que se não tivesse sido substituída, “o que faltava dos ordenados de outubro já estariam pagos, mais os de novembro, e já muitos de dezembro, e aos poucos, com medidas certas, mas penosas, a TiN não seria liquidada”.

Para esta quinta-feira, 2 de janeiro, está marcado um plenário de trabalhadores a pedido do administrador de insolvência para discutir a situação atual e futura do grupo.