Israel lança ultimato contra Gaza

13 de outubro 2023 - 13:25

O exército israelita quer obrigar a população do norte de Gaza a sair de suas casas. A ONU diz que é o caminho para a tragédia. Em França e na Alemanha proíbem-se manifestações pela causa palestiniana.

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Bombardeamento israelita a Gaza. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.
Bombardeamento israelita a Gaza. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.

Depois de seis dias de bombardeamentos consecutivos, o exército israelita lançou esta sexta-feira um ultimato contra Gaza, avisando a população civil do norte do enclave que tem 24 horas para sair da zona onde vive mais de um milhão de pessoas. Em comunicado, as forças militares escrevem que “esta evacuação é para sua própria segurança. Apenas poderão regressar à cidade de Gaza quando seja feito outro anúncio que o permita”.

A ONU, através do porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric respondeu com um “apelo enérgico para que qualquer ordem deste tipo seja revogada, evitando o que poderia transformar o que já é uma tragédia numa situação calamitosa”. A Organização das Nações Unidas tinha dado a conhecer antes que pelo menos doze trabalhadores humanitários ao serviço da instituição, entre os quais cinco professores, um ginecologista, um psicólogo, entre outros, foram mortos pelos bombardeamentos israelitas. De acordo com Juliette Touma, diretora de comunicação da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, “muitos deles foram mortos quando estavam com as suas famílias”.

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Já a Organização Mundial de Saúde, através do porta-voz Tarik Jasarevic, lembra que há “pessoas gravemente doentes” que não podem ser deslocadas e cujas “únicas hipóteses de sobreviver é ficarem ligadas a suporte de vida como ventiladores mecânicos”. Deslocar estas pessoas “é uma sentença de morte” e “pedir as trabalhadores da saúde que o façam é muito mais do cruel”, declarou.

Para além dos bombardeamentos, a Faixa de Gaza, um território de 40 quilómetros no qual vivem 2,3 milhões de pessoas, sofre um bloqueio reforçado, tendo sido cortado o abastecimento elétrico, a entrada de alimentos e de combustíveis. António Guterres criticou estas medidas e apelou a um “acesso rápido e sem restrições”. O Comité Internacional da Cruz Vermelha diz que até os geradores dos hospitais podem ficar sem combustível para funcionar nas próximas horas e os responsáveis do Programa Alimentar Mundial da ONU avisam que a comida e água que ainda existem no território estão em níveis perigosamente baixos.

Para além disso, a Human Rights Watch está a acusar Israel de utilizar fósforo branco nos bombardeamentos em Gaza e no Líbano. A ONG analisou vídeos dos passados dias 10 e 11 onde se mostrava artilharia de 155 mm a disparar esta substância sobre o porto da cidade de Gaza e duas localidades rurais na fronteira entre Israel e Líbano e confirmou a sua veracidade.

Autoridade Palestiniana condena violência

Em visita à Jordânia esta quinta-feira, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestiniana, condenou os ataques a civis. De acordo com a agência noticiosa palestiniana, terá dito: “rejeitamos as práticas de mortes de civis e de abusos sobre eles dos dois lados porque infringem a moral, a religião e a lei internacional”.

A Autoridade Palestiniana, que exerce apenas um poder limitado na Cisjordânia, garante que vai continuar a lutar pelos seus objetivos através de ação política.

Manifestações proibidas em França e Alemanha

Entretanto, prosseguem as manifestações em vários pontos do mundo em solidariedade com a causa palestiniana.

Em França, o ministro do Interior ordenou aos prefeitos de todo o país a proibição das manifestações de apoio à Palestina. Em Paris, milhares desafiaram a proibição e a polícia lançou gás lacrimogéneo e canhões de água contra eles. Gérald Darmanin alega que as tomadas de posição nas ruas a favor da Palestina “podem gerar distúrbios à ordem pública”.

Também em Berlim, as manifestações pró-palestinianas foram proibidas sob a desculpa que podem levar a ações de anti-semitismo ou causar violência. À Deutsche Welle, Tobias den Haan, da organização Palestine Speaks, contrapõe que a manifestação que a sua organização convocara era pacífica e de solidariedade para com o povo ocupado. Já no passado sábado, as autoridades tinham dispersado à força uma concentração de apoiantes da causa palestiniana. De acordo com as polícias, teriam cantado slogans contra Israel.

No Reino Unido também têm havido protestos e esta sexta, a campanha de solidariedade com a Palestina, os Amigos de Al-Aqsa, a Coligação Parar a Guerra, a Associação Muçulmana da Grã-Bretanha, o Fórum Palestiniano, entre outros, têm uma manifestação marcada para Londres contra “a lei do apartheid sobre o povo palestiniano”.

Na Austrália, em Camberra, Brisbane e Perth houve manifestações significativas onde se apelou ao governo australiano para apoiar os palestinianos. Mas as autoridades, nomeadamente as de Novas Gales do Sul, lançaram uma declaração a dizer que estão a pedir “conselhos legais” no sentido de implementar poderes especiais de vigilância e busca aos cidadãos que participem nas manifestações agendadas para o próximo domingo, convocadas pelo Grupo de Ação Palestina de Sydney.

Na Jordânia, o governo anunciou que estão proibidos os protestos contra os bombardeamentos israelitas nas zonas perto da fronteira com os territórios ocupados, nomeadamente no vale do Jordão e “áreas circundantes”.

No Iraque, já esta sexta-feira, foram milhares a sair à Praça Tahrir, em Bagdad, em resposta a uma convocatória do líder xiita Muqtada al-Sadr contra a ocupação e os EUA. Também em Jacarta houve milhares nas ruas. Estão marcados protestos ainda ao longo do dia no Líbano, na Síria e em vários países árabes depois de apelos palestinianos a um “dia de raiva” contra a ocupação.