Pelo menos 18 pessoas foram assassinadas desde a passada quarta-feira, quando as forças de ocupação israelitas lançaram o maior ataque na Cisjordânia desde 2002. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres acusou Israel de alimentar uma “situação explosiva”.
Os militares israelitas invadiram Jenin, Tulkarm e Tubas, destruindo infraestruturas e atacando hospitais. Oito pessoas foram assassinadas em Jenin, seis em Tulkarem e quatro em Tubas, mas muitos mais foram feridos e cerca de 20 pessoas, incluindo crianças, foram detidas.
O maior ataque à Cisjordânia dos últimos 20 anos começou na passada quarta-feira, com as autoridades israelitas a afirmarem que estão atrás de “terroristas armados que são uma ameaça às forças de segurança”.
As forças militares israelitas lançavam ataques diários sobre a Cisjordânia, mas a reporter Nida Ibrahim, da Al Jazeera, confirma que esta ofensiva é diferente. “Este [ataque] é de uma escala diferente” porque as forças israelitas “invadiram três campos de refugidos ao mesmo tempo”.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se “profundamente preocupado” com a nova ofensiva militar israelita. “Estes desenvolvimentos perigosos estão a alimentar uma situação já explosiva na Cisjordânia ocupada e a debilitar ainda mais a Autoridade Palestiniana”, disse.
Israel poderá estar a preparar-se para avançar de forma sistemática sobre o território da Cisjordânia, como já fez em Gaza. Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Israel Katz, afirmou na rede social X que “devemos enfrentar a ameaça da mesma forma que abordamos a infraestrutura terrorista em Gaza, incluindo a retirada temporária dos residentes palestinianos e quaisquer outras medidas necessárias”.
A Amnistia Internacional também já condenou a ofensiva israelita na Cisjordânia, rotulando-a de “um escalar horrífico da força letal”. Erika Guevara Rosas, dirigente e porta-voz da organização não governamental, também confirmou ser provável que “estas operações resultem num aumento de deslocamentos forçados, destruição de infraestrutura crítica e medidas de punição coletiva” paralela à ação que se tem visto no genocídio em Gaza.