Palestina

Com o cessar-fogo mais longe, continua a destruição em Gaza

26 de agosto 2024 - 15:29

Esperanças para as negociações de um cessar-fogo que aconteciam no Cairo esvanecem-se. Mortes aumentam em Gaza com apoio contínuo dos Estados Unidos da América. Associações de jornalistas querem UE a pressionar israel devido a mortes de jornalistas.

PARTILHAR
Criança no meio dos destroços em Gaza
Fotografia de UNRWA

No passado domingo, as negociações de paz para um cessar-fogo na faixa de Gaza, que ocorriam no Cairo, acabaram em desacordo entre o Governo israelita e o Hamas. Entretanto, a morte e a fome continuam a multiplicar-se em Gaza às mãos do Governo de Netanyahu.

Segundo a Reuters, as negociações não avançaram porque não havia condições mínimas para assegurar um cessar-fogo. O Hamas aceitaria uma trégua com base no acordo feito no dia 2 de Julho de 2024, segundo um plano dos Estados Unidos da América e das Nações Unidas e com que o Governo de Israel já teria concordado na altura.

Mas o centro das tensões entre as duas partes é a permanência de forças israelitas em Gaza. Enquanto o Hamas pretende que Israel retire os seus soldados daquela zona, o Governo israelita continua a insistir no alargamento do território ocupado por sua parte, em concreto através da sua permanência no corredor Philadelphi, um estreito de 14,5 quilómetros a sul de Gaza, na sua fronteira com o Egito.

Comissário-Geral da UNRWA

“Agora corremos o risco de banalizar o horror de Gaza”

23 de agosto 2024

A delegação do Hamas saiu do Cairo no passado domingo, depois de mais uma tentativa falhada de negociações. Entretanto, a destruição continua na Palestina. O Ministério da Saúde em Gaza dá conta de mais 30 mortos e 66 feridos nas últimas 24 horas, elevando o total de mortos para, pelo menos, 40.435, e o total de feridos para 93.534.

Para além dos números, outros relatos de ações desumanas por parte dos soldados e colonos israelitas continuam a surgir. É o caso de um vídeo publicado pela associação israelita de direitos humanos B’Tselem, que mostra vários colonos israelitas na cidade de Hebron, na Cisjordânia, a ameaçar palestinianos com agressões sexuais, falando de “violação em nome de Deus”.

Também uma série de organizações não-governamentais (ONG) se têm queixado das dificuldades impostas pelo Governo de Netanyahu na sua prestação de ajuda ao povo palestiniano. Entre elas o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas e a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA).

Os Estados Unidos da América, por outro lado, continuam a apoiar militarmente Israel, apesar das ténues críticas que vêm da administração Biden. A Al Jazeera avança que esta segunda-feira aterra em Israel o 500º avião de apoio militar americano desde 7 de Outubro de 2023. “Através destas operações, mais de 50.000 toneladas de equipamento militar foram entregues a Israel por 500 voos e 107 transportes marítimos”, aponta o próprio Governo de Israel.

Jornalistas querem pressão sobre Israel

No meio da continua devastação de Gaza, cerca de 60 ONG que defendem os media e o jornalismo pediram esta segunda-feira à União Europeia para suspender o seu acordo de associação com Israel. Em causa estão a morte de vários jornalistas na faixa de Gaza e os ataques à liberdade de imprensa.

O documento é assinado pelo Comité para a Proteção dos Jornalistas, a Repórteres Sem Fronteiras, Human Rights Watch e a Federação Europeia de Jornalistas, entre outros. E acusa Netanyahu de “restringir a liberdade dos meios de comunicação social, o que resultou efetivamente no estabelecimento de um regime de censura”.

Desde o início da ofensiva israelita que já morreram mais de uma centena de jornalistas palestinianos, dois israelitas e três libaneses. O Governo israelita tem também dificultado e proibido o acesso de jornalistas estrangeiros à Faixa de Gaza e é acusado de ter detido pelo menos 49 profissionais da informação.