Genocídio

Israel continua a matar em Gaza apesar do cessar-fogo

14 de outubro 2025 - 14:15

Cinco palestinianos foram mortos por drones israelitas num bairro da cidade de Gaza quando tentavam regressar às suas casas. Em Khan Younis, outros dois ficaram feridos.

PARTILHAR
Palestinianos regressam ao que resta da cidade de Gaza
Palestinianos regressam ao que resta da cidade de Gaza. Foto Mohamed Saber/EPA

Não foi preciso esperar muito tempo desde a assinatura do acordo de cessar-fogo para que surgissem as primeiras violações por parte dos militares israelitas. Com centenas de milhares de pessoas a regressarem à cidade de Gaza na esperança de já não serem alvos das bombas de Israel, cinco pessoas foram mortas por tiros de drones no bairro de Shujayea, um dos maiores do leste da cidade com cerca de cem mil habitantes.

Os militares israelitas alegam que as vítimas se estariam a aproximar da posição onde se encontravam os seus soldados. Outros dois palestinianos foram alvejados pelas tropas israelitas em Khan Younis e ficaram feridos. Segundo a Al Jazeera, continuam a ouvir-se tiros no leste do enclave, com os soldados israelitas a dispararem contra quem se aproxime das suas posições.

A relatora especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados já veio condenar estes assassinatos cometidos após o acordo de cessar-fogo. “De novo: cessar-fogo segundo Israel = ‘tu cessas, eu disparo’. Chamar isso de ‘paz’ é um insulto e uma manobra de diversão”, escreveu Francesca Albanese nas redes sociais, apelando a que se faça “justiça, sanções, desinvestimento [e] boicote até que a ocupação, o apartheid e o genocídio terminem e todos os crimes sejam julgados”.

Em Jerusalém, as provocações ficaram por conta do ministro do Interior Ben Gvir, que uma vez mais se fez acompanhar de proteção policial para irromper no complexo da Mesquita de Al-Aqsa. Foi a segunda vez que o ministro da extrema-direita entrou naquela zona sagrada nos últimos dias, o que desta vez motivou protestos do chefe da diplomacia da Jordânia contra o que chama de “flagrante violação do estatuto histórico e atual da Mesquita de Al-Aqsa”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros jordano apelou a Israel para parar com estas provocações que configuram “uma violação da santidade dos locais sagrados islâmicos e cristãos na Jerusalém ocupada”.

Após os festejos em Israel com a libertação dos reféns vivos e de quatro corpos de reféns mortos nos último dois anos, as famílias dos reféns exigem agora que sejam devolvidos os restantes corpos. O Hamas alega que precisa de tempo e da retirada das tropas israelitas para procurar os restos mortais nos escombros dos edifícios bombardeados e a Cruz Vermelha Internacional diz que esse será um enorme desafio que pode levar dias ou semanas, não afastando a hipótese de nunca chegarem a ser encontrados.

Desde o início do cessar-fogo, a Proteção Civil de Gaza já recolheu os restos mortais de 250 pessoas, muitos deles nas ruas, mas queixa-se da falta de equipamento pesado para remover os escombros deixados pela destruição e sob os quais podem estar mais de dez mil pessoas. A presença de materiais explosivos dificulta ainda mais esta tarefa.

Com os palestinianos a regressarem a bairros em ruínas, o relator especial da ONU para o direito à habitação condigna diz que Israel deve permitir a entrada de tendas e caravanas na Faixa de Gaza. Balakrishnan Rajagopal diz que a recuperação destas zonas irá levar gerações e fala em “domicídio” para descrever a destruição de 92% das habitações em Gaza, nas contas da ONU. “A destruição de casas e o afastamento das pessoas dessas zonas e torná-las inabitáveis é uma das principais formas em que o ato de genocídio foi cometido”, afirmou à Al Jazeera o relator especial das Nações Unidas.