Pouco mais de dois anos depois dos raptos, foi concluída esta segunda-feira a libertação dos reféns tomados pelo Hamas e outros grupos armados de Gaza nos ataques de 7 de outubro. Esta segunda-feira as organizações libertaram os últimos 20 reféns vivos e prometeram localizar e entregar nos próximos dias os 28 corpos de reféns que estarão entre os escombros dos bombardeamentos israelitas. Em troca, o governo de Netanyahu aprovou a lista de 1.718 palestinianos que mantém nas suas prisões e que começaram já a ser libertados.
Genocídio
Dois anos após o 7 de outubro, a Palestina tornou-se um cemitério de estratégias fracassadas
Muhammad Shehada
A receção dos reféns e prisioneiros foi recebida em festa em Israel e na Cisjordânia. Cerca de 65 mil pessoas concentradas na praça que tem sido o palco dos protestos das famílias dos reféns em Telavive assistiram nos ecrãs gigantes aos momentos da libertação. Na Cisjordânia, à chegada dos autocarros e também junto à prisão de Ofer, nos territórios ocupados, concentraram-se centenas de pessoas, com a Al Jazeera a dar conta de disparos de balas de borracha por parte de veículos militares blindados contra as famílias que aguardavam a libertação junto à prisão.
Na Faixa de Gaza, muitos palestinianos aproveitam a ausência de bombardeamentos para regressar ao que resta das suas casas e procurar os restos mortais de familiares por entre os destroços. o jornal britânico Guardian mostra o exemplo de Khadr, que passou o domingo junto ao que foi a casa dos pais em Jabalya. Conta que não os conseguiu convencer a fugir para o sul e a casa foi bombardeada. Regressou para tentar encontrar os cadáveres e levá-los para o cemitério, mas quando o conseguiu viu que este também tinha sido destruído, acabando por fazer o enterro junto a algumas das poucas campas ainda intactas.
A agência de proteção civil de Gaza calcula que haja dez mil cadáveres entre as 60 mil toneladas de escombros dos edifícios destruídos pelas bombas na Faixa de Gaza. A população contou este fim de semana com o apoio dos trabalhadores desta agência no resgate dos palestinianos mortos há semanas ou mesmo há meses. “Para começar, estamos focados na recolha dos cadáveres que estão nas ruas para preservar esses restos mortais, por causa dos cães vadios”, disse Khaled al-Ayoubi, o responsável da agência no norte de Gaza. Outro responsável da agência para a cooperação internacional diz que mesmo que os israelitas deixem entrar equipamento pesado, vai demorar entre seis meses a um ano para recuperar todos os corpos que estão no meio dos escombros.