O Ministério da Saúde de Gaza afirma que pelo menos 500 pessoas possam ter morrido na sequência de um bombardeamento israelita ao hospital al-Ahli na cidade de Gaza. A confirmar-se este balanço, o ataque foi o mais mortífero desde 2008 nas cinco guerras de Israel contra a população da Palestina.
"O massacre do hospital Árabe al-Ahli é inédito na nossa história. Embora tenhamos assistido a tragédias nas guerras passadas e nos últimos dias, o que aconteceu esta noite é equivalente a um genocídio", afirmou o porta-voz da Defesa Civil Palestiniana.
Os militares israelitas negaram a responsabilidade pelo bombardeamento do hospital, atribuindo-a a um lançamento falhado de um foguete por parte da Jihad Islâmica. O porta-voz deste grupo negou as acusações, considerando-as uma mentira para tentar encobrir o massacre de civis.
Um vídeo geolocalizado pelo Washington Post mostra o momento da explosão:
Video of the moment of the blast at Al Ahli Hospital, geolocated by The Post, captures a whirring through the air and then a blast, followed by orange flames: https://t.co/9C6AYwyP02 pic.twitter.com/Fa7T2DinCj
— Evan Hill (@evanhill) October 17, 2023
Nas redes sociais, o secretário-geral da Organização Mundial de Saúde condenou o ataque e apelou à proteção imediata de civis e pessoal de saúde, bem como à reversão imediata da ordem de evacuação dada por Israel à população do norte de Gaza.
"Isto é um genocídio. É um crime de guerra", disse à Al Jazeera Nebal Farsakh, do Crescente Vermelho Palestiniano, explicando que muitos dos que se encontravam junto ao hospital eram pessoas que seguiram a ordem de evacuação feita por Israel à população do Norte de Gaza, mas não conseguiam continuar viagem para o sul. "Pensavam que se estivessem em frente a um hospital, isso seria um local seguro. Mas isso não acontece em Gaza, não acontece na Palestina", acrescentou.
O médico Ziad Shehadah confirma a situação e teme que o número de mortos possa ultrapassar as mil pessoas. "É um massacre", diz à Al Jazeera, sublinhando que "todas estas pessoas eram civis. Fugiram das suas casas e conseguiram chegar a um sítio que acreditavam ser seguro - um hospital, que segundo a lei internacional é um lugar seguro".
O primeiro-ministro canadiano foi dos primeiros líderes politicos ocidentais a reagir. "As notícias que chegam de Gaza são horríveis e absolutamente inaceitáveis... O direito internacional tem de ser respeitado neste e em todos os casos. Existem regras para as guerras e não é aceitável atingir um hospital", afirmou Justin Trudeau. O hospital era gerido pela Igreja Anglicana e o bispo da Cantuária reagiu nas redes sociais: "Trata-se de uma perda terrível e devastadora de vidas inocentes (...) Estou de luto com os nossos irmãos e irmãs - por favor, rezem por eles".
A Autoridade Palestiniana decretou três dias de luto nacional e vários grupos políticos apelaram a uma greve para esta quarta-feira na Cisjordânia. Pouco depois de ser conhecida a notícia do massacre no hospital de Gaza, centenas de pessoas saíram às ruas em protesto em várias cidades da Cisjordânia, como Nablus, Jenin e Tulkarem.
"Penso que é absolutamente vergonhoso para qualquer governo árabe ter agora um embaixador israelita no seu país", disse Mustafa Barghouti, o secretário geral da Iniciativa Nacional Palestina, fundada como alternativa aos partidos políticos palestinianos Fatah e Hamas. "Todos os actos de normalização entre os governos árabes e Israel devem ser eliminados e cancelados. É o mínimo que podem fazer", defendeu o médico e político palestiniano.
Notícia atualizada às 21h45 com o vídeo da explosão, a troca de acusações entre o exército israelita e a Jihad Islâmica, e as reações do primeiro ministro do Canadá e do arcebispo da Cantuária.