Israel ataca ambulâncias que evacuavam feridos para o Egito

03 de novembro 2023 - 16:12

Tanto os refugiados que fogem para o sul como os feridos graves que receberam autorização para sair da Faixa de Gaza foram alvo de bombardeamentos esta sexta-feira. Líder do Hezbollah diz que quem quiser impedir uma guerra regional terá de parar a guerra em Gaza.

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Destroços nas ruas da cidade de Gaza
Destroços nas ruas da cidade de Gaza esta quinta-feira. Foto Mohammed Saber/EPA

Um míssil lançado por um drone israelita atingiu as ambulâncias que estavam em frente ao hospital al-Shifa, o maior da cidade de Gaza. Segundo a Al-Jazeera, ainda não é possível quantificar o número de vítimas, mas além dos cinco mil pacientes no seu interior, há dezenas de milhares de pessoas na frente e nas traseiras do hospital. O porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza diz que informou a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho de que as ambulâncias transportavam entre 15 a 20 feridos em estado crítico para a passagem de Rafah, de forma a serem tratadas fora da Faixa de Gaza por falta de capacidade e material nos hospitais de Gaza.

Também esta sexta-feira, pelo menos 14 pessoas, incluindo crianças, foram alvo de um ataque israelita na estrada costeira apontada por Telavive como "segura" para a evacuação da população do norte para o sul da Faixa de Gaza. Outro alvo das bombas israelitas foi o Instituto Francês de Gaza e as instalações da Agência France Presse na cidade. O governo francês pediu explicações "sem demoras" a Israel sobre as razões que levaram a este ataque..

Em Israel, o chefe da diplomacia dos EUA encontrou-se com o primeiro-ministro Netanyahu, mas a sua sugestão de "pausas humanitárias" não foi bem acolhida. No final da reunião, Netanyahu prometeu prosseguir os ataques "com toda a força" e recusou "um cessar-fogo temporário que não inclua o regresso dos nossos reféns".

Está tudo em aberto na frente libanesa, diz líder do Hezbollah

Num discurso televisivo, o líder do Hezbollah responsabilizou os Estados Unidos pela guerra em curso em Gaza, atribuindo a Israel o papel de "ferramenta" dos norte-americanos. Sayyed Hassan Nasrallah saudou o ataque do Hamas de 7 de outubro, que provocou mais de 1.400 mortes entre civis e militares israelitas, considerando-a uma operação decidida e executada a cem por cento pelos palestinianos. Ao demarcar-se da sua autoria, acrescentou não ter ficado incomodado com o segredo guardado pelo Hamas quanto ao ataque que "provocou um terramoto [em Israel]" e cujas consequências "estratégicas e existenciais" terão efeitos no presente e no futuro daquele país.

Quanto à resposta israelita, Nasrallah considera-a insensata e incapaz porque o que está a fazer é matar crianças e mulheres e ao fim de quase um mês não atingiu nenhum objetivo militar. E que agora ameaça o Líbano enquanto "se afunda nas areias da Faixa de Gaza". Da parte do Hezbollah, promete manter e até aumentar a troca de fogo com os israelitas de forma a obrigá-los a manterem as suas forças na fronteira libanesa em vez de as deslocarem para Gaza ou a Cisjordânia. Sem afastar nenhum cenário para a evolução dos combates, diz que uma escalada da guerra nesta frente dependerá do que acontecer na Faixa de Gaza e que o Hezbollah não se deixa intimidar pelos navios de guerra estacionados pelos EUA na região. Quem quiser impedir uma guerra regional no Médio Oriente terá de parar a guerra em Gaza, prosseguiu Nasrallah.