Na quarta-feira, o porta-voz do poder judicial, Masoud Setayeshi, anunciou as acusações que recaem sobre as jornalistas Niloofar Hamedi e Elahe Mohammadi, e avançou que o início do seu julgamento está previsto para daqui a um mês, "no Tribunal Revolucionário de Teerão".
Hamedi publicou a foto de Amini no hospital e dos seus pais após serem informados da morte da filha. Ao serviço do diário Shargh, a jornalista foi presa a 21 de setembro de 2022. Desde então, passou grande parte do tempo em regime de isolamento.
Já Mohammadi, do diário Hammihan, fez a cobertura do funeral de Mahsa Amini e foi detida no dia seguinte.
Em outubro do ano passado, as duas jornalistas foram acusadas pelo Ministério das Informações e o serviço de informações da Guarda Revolucionária de terem sido treinadas pela CIA em "guerra híbrida" com vista a preparar os protestos.
No mesmo dia em que foram anunciadas as acusações contra Niloofar Hamedi e Elahe Mohammadi, os promotores da prisão de Evin, em Teerão, convocaram as jornalistas Saeedeh Shafiei, Mehrnoosh Zarei e Nasim Sultan Beygi e deram-lhes cinco dias para apresentarem a sua última defesa em tribunal. As acusações de que são alvo incluem "propaganda contra" o regime.
As três jornalistas foram presas no ano passado durante os protestos desencadeados pela morte de Amini. Posteriormente, foram libertadas sob fiança.
De acordo com o Comité para a Proteção dos Jornalistas, com sede em Nova Iorque, as autoridades iranianas prenderam pelo menos 95 outros jornalistas desde a eclosão dos protestos anti-governamentais.
A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) alerta que, até hoje, 18 jornalistas continuam presos pela sua cobertura dos protestos. Unindo-se à sua afiliada, a Associação de Jornalistas da Província de Teerão (TPJA), a IFJ exorta as autoridades iranianas a libertarem todos os jornalistas e trabalhadores dos media presos, e parem com a repressão contra estes profissionais.
A Federação dá o exemplo de Keyvan Samimi, editor-chefe da revista Iran-e-Farda e chefe da Associação de Defesa da Liberdade de Imprensa no Irão. A 20 de abril, o proeminente jornalista foi preso novamente em Teerão.
O jornalista tinha sido libertado no dia 26 de janeiro, depois de cumprir uma pena de prisão de dois anos. Logo após a sua segunda prisão, a emissora nacional do Irão declarou que Samimi estava detido porque tinha contacto com "grupos antirrevolucionários no exterior".
A 10 de abril, uma semana antes da prisão de Samimi, a jornalista e ativista dos direitos das mulheres Jina Modares Gorji foi presa no seu local de trabalho pelas autoridades iranianas após ter sido intimada várias vezes pelo Tribunal Revolucionário de Sanandaj por supostamente “agir contra a segurança nacional”. Gorji já tinha sido detida durante protestos anti-governamentais em Sanandaj a 21 de setembro de 2022, sendo libertada sob fiança após passar 40 dias sob custódia.