Irão reforça videovigilância para reprimir mulheres

10 de abril 2023 - 21:58

A polícia anunciou este fim de semana que vai reforçar a videovigilância em espaços públicos para identificar mulheres sem véu. Novo caso suspeito de envenenamento levou dezenas de estudantes ao hospital.

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Bazar em Teerão. Foto Abedin Taherkenareh/EPA

Com o intuito anunciado de "prevenir a resistência contra a lei do hijab", a polícia iraniana anunciou que vai instalar câmaras de vigilância em locais públicos para identificar as mulheres que não cumprem a lei do véu obrigatório. Segundo as agências de notícias iranianas citadas pela Reuters, as mulheres assim identificadas vão receber mensagens de texto a avisar para as consequências.

O controlo e repressão às infrações da regra que obriga ao uso do hijab serão também reforçadas no Metro de Teerão, segundo noticiou o canal televisivo estatal citado pelo Guardian. As autoridades vão criar grupos de vigilância à entrada das estações para recusar a entrada das mulheres que não cobrem o cabelo com o véu.

O objetivo anunciado é o de "prevenir a resistência à lei do hijab", que o regime considera prejudicial à imagem espiritual do país e um foco de insegurança. Desde o início da revolta popular causada pela morte de uma jovem sob custódia policial e acusada de não cumprir o código de vestuário do país, são muitas as mulheres que desafiam essa proibição no espaço público, apesar da repressão sangrenta dos protestos que se realizaram desde setembro do ano passado.

Em resposta a essa desobediência, o regime tem apelado à população que confronte essas mulheres, o que tem levado a alguns ataques como o que na semana passada se tornou viral, quando um homem atirou iogurte a duas mulheres numa loja, num ataque filmado pelas câmeras de vigilância no local.

Também no sábado, dezenas de estudantes de uma escola feminina em Ardabil, no noroeste do país, tiveram de ser levadas para o hospital após mais um caso que levanta suspeitas de envenenamento. Tal como noutros estabelecimentos escolares femininos nos últimos meses, as estudantes "sentiram um cheiro desagradável, um ardor na garganta e ficaram sem forças, pelo que foram imediatamente levadas para centros médicos pelos serviços de emergência", disse um funcionário da segurança de Ardabil à agência Fars.

Até ao momento, as autoridades iranianas têm apontado o dedo aos "inimigos" da República Islâmica pelos casos semelhantes que têm afetado as escolas femininas. Mas muitos suspeitam de grupos religiosos que se opõem ao ensino das raparigas como estando por detrás destas tentativas de envenenamento que já levaram mais de mil jovens a procurar ajuda médica desde janeiro.

As conclusões de um comité de investigação a estes ataques devem ser apresentadas no Parlamento dentro de poucas semanas.