No ano passado, o total de descontos para a Segurança Social por parte de trabalhadores estrangeiros ascendeu a 4.150 milhões de euros, face aos 822 milhões pagos no total de prestações sociais contributivas - em primeiro lugar prestações familiares como o abono de família, seguido de subsídios de doença e de desemprego - e não-contributivas, como o Rendimento Social de Inserção, que representa apenas 3,9% do total, dizem os números citados pelo Expresso.
Os trabalhadores estrangeiros representaram no ano passado 20% dos trabalhadores no ativo e 13,7% das contribuições, uma diferença que se explica por estas estarem associadas ao valor do salário que é pago a estes trabalhadores, em geral mais baixo do que aos trabalhadores com nacionalidade portuguesa. Já a percentagem de estrangeiros nas prestações sociais pagas foi de 12,67%, representando 11,11% do total do valor pago nestas prestações em Portugal.
Imigração
Até setembro, imigrantes contribuíram 2.600 milhões para Segurança Social
O Governo anunciou que passará a divulgar mensalmente os dados sobre as contribuições feitas para a Segurança Social e as prestações sociais auferidas por cidadãos estrangeiros. A secretária de Estado Filipa Lima justificou a medida com os insistentes pedidos de jornalistas de dados e afirmou aos jornalista que estes dados estatísticos, “quando divulgados de forma isenta, imparcial e sem discriminação relativamente aos seus destinatários, contribuem sempre para elevar a literacia de todos aqueles que têm interesse em utilizar essa informação de forma correta e esclarecida”.
Novas inscrições estão em queda livre desde o fim do regime de regularização através da manifestação de interesse
Segundo os dados divulgados pelo Diário de Notícias, no mês de dezembro de 2025 mais de 840 mil trabalhadores imigrantes contribuíram para a Segurança Social, um número que é 5,4 vezes acima do que no mesmo mês de 2015. Já o número de beneficiários de prestações sociais era há dois meses de 213 mil, 3,5 vezes superior ao que era em dezembro de 2015, com Brasil, Angola e Cabo Verde a liderarem as nacionalidades destes beneficiários. O total de contribuições no ano passado foi 8,5 vezes superior ao de há dez anos, com Brasil, Índia e Angola a serem as nacionalidades de origem dos que mais contribuem para os cofres da Segurança Social.
No futuro, é provável que esta tendência de crescimento das contribuições se atenue, ou mesmo se venha a inverter, pois nos últimos dois anos o número de novas inscrições de trabalhadores estrangeiros na Segurança Social sofreu quebras na ordem dos 40% em relação a 2023, aponta o Jornal de Negócios. As associações de imigrantes e a esquerda parlamentar já tinham alertado que o fim do regime da manifestação de interesse, que possibilitava a regularização da situação legal destes cidadãs através do contrato de trabalho e descontos para a Segurança Social, poderá levar ao aumento do trabalho não declarado e de práticas criminosas de exploração de mão de obra imigrante.