Na ilha de Maui, as chamas e a desolação vieram contrastar com a imagem paradisíaca de praias e paisagens tropicais. A viver um Verão particularmente seco, acompanhado de ventos fortes, a ilha foi fustigada por uma série de incêndios sem precedentes que tiveram início em locais de vegetação mas que rapidamente se estenderam a áreas povoadas.
Na noite de terça-feira, três incêndios deflagraram em Maui, isolando o lado oeste da ilha. As chamas moveram-se tão rapidamente que alguns sobreviventes tiveram de saltar para o oceano e foram resgatados pela guarda costeira.
As chamas acabaram por envolver Lahaina, uma cidade de 13.000 habitantes. O governador do Hawai, Josh Green, afirmou que, pelo menos, 2.200 edifícios foram destruídos no incêndio, sendo que cerca de 86% dessas estruturas eram residenciais.
“É um dia impossível”, frisou Green no sábado, durante uma visita a Lahaina. “Será certamente o pior desastre natural que o Hawai já enfrentou”, acrescentou. Green alertou ainda que o número de mortos provavelmente aumentará, na medida em que centenas de pessoas ainda estão desaparecidas.
As autoridades alertaram que algumas áreas de Lahaina estão “altamente tóxicas”, com o departamento de saúde do Hawai a apelar à utilização de máscaras e óculos de proteção, já que as cinzas e as poeiras dos edifícios queimados podem conter contaminantes, incluindo amianto, arsénico e chumbo.
Algumas áreas do abastecimento de água de Lahaina e Upper Kula foram danificadas, o que pode ter permitido que “contaminantes nocivos, incluindo benzeno e outros produtos químicos orgânicos voláteis, entrassem no sistema de água”, lê-se num alerta oficial citado pelo The Guardian.
As autoridades as populações a não consumir água canalizada, mesmo depois de fervida, devendo recorrer apenas a água engarrafada. Os moradores foram também aconselhados a “limitar o tempo de banho e usar água morna e uma área ventilada”.
O número de mortos nos incêndios florestais no Hawai já ultrapassou o número do incêndio de 2018 no norte da Califórnia, que deixou 85 mortos e destruiu a cidade de Paradise.
Segundo estimativas da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema), o custo da reconstrução de Lahaina deverá atingir os 5,5 mil milhões de dólares, com mais de 850 hectares queimados.
As autoridades locais descreveram uma confluência de fatores que agravaram a situação, entre os quais falhas na rede de comunicações, fortes rajadas de vento de um furacão offshore e um incêndio florestal separado a dezenas de quilómetros de distância, que tornou quase impossível a coordenação em tempo real com as agências de gestão de emergência que normalmente emitem avisos e ordens de evacuação.