O Global Report on Food Crises, uma análise global à insegurança alimentar em todo o mundo, concluiu que o número de pessoas que sofrem de “altos níveis de insegurança alimentar” voltou a subir pelo sexto ano consecutivo e há agora 295,3 milhões a sofrer com este nível de fome que implica o risco de morte.
Indicam-se causas como “a intensificação dos conflitos, aumentando tensões geopolíticas, a incerteza económica global e profundos cortes” à ajuda humanitária mas também questões climáticas.
O relatório centrou-se na situação da população de 53 países, concluindo que cerca de um quarto desta, 22.6%, sofria deste flagelo.
Gaza
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Os valores das pessoas que vivem no limiar de “catástrofe”, o mais extremo da categorização da ONU, o Integrated Food Security Phase Classification, mais do que duplicou. E a esmagadora maioria (95%) das quais está concentrada em dois locais, a Faixa de Gaza e o Sudão. Em Gaza, números do ano passado que ainda não têm em conta tudo o que aconteceu entretanto, nomeadamente o recente bloqueio da ajuda humanitária ao longo de meses por parte das forças armadas sionistas, apontavam para metade das pessoas estarem no nível de catástrofe. Agora, serão 2,1 milhões as pessoas em risco extremo no território.
No Sudão, o intensificar da guerra civil colocou mais de 24 milhões de pessoas nesta situação.
Para além deles, também o Haiti, Mali e o Sudão do Sul também têm muitas pessoas a sofrer fome extrema. E identificam-se 19 países com uma preocupante degradação ao nível da segurança alimentar, nos quais se contam Myanmar, Nigéria e a República Democrática do Congo por causa de conflitos armados e Etiópia, Quénia, Somália, Afeganistão e Paquistão por causa da crise climática que se manifestou através de secas.
O documento aponta ainda o dedo às quebras de financiamento, nomeadamente aos cortes do presidente dos EUA, Donald Trump, nos programas de ajuda USAID, que terão resultado no fim do apoio a mais de 14 milhões de crianças.
Na introdução do estudo, António Guterres, secretário-geral da ONU, afirma que esta é “uma lista de falhas humanas” já que “num mundo de abundância, crianças estão a morrer de fome”.
Também ele salienta que “a Faixa de Gaza tem o maior número de pessoas a enfrentar fome catastrófica alguma vez registado pelo Relatório Global sobre Crises Alimentares, mesmo com camiões de ajuda bloqueados a fazer fila na fronteira” e que “o conflito no Sudão criou a maior crise de deslocações internas do mundo, com consequências atrozes, impactos na fome e na nutrição, especialmente para as mulheres e crianças”.
O dirigente das Nações Unidas pensa que esta crise “exige uma resposta urgente”, avaliando que “os governos devem impulsionar recursos disponíveis para o desenvolvimento sustentável” para “criar um mundo onde a fome não tem lugar”.