Guterres vê Médio-Oriente "à beira do abismo

16 de outubro 2023 - 22:45

Os rumores de um eventual cessar-fogo e abertura da passagem entre Gaza e o Egito não se confirmaram. Sem eletricidade e com a água a acabar, a população de Gaza permanece encurralada e sob bombardeamento.

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Palestinianos procuram corpos e sobreviventes nos escombros de um edifício residencial destruído por um ataque aéreo israelita, no campo de refugiados de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza,
Palestinianos procuram corpos e sobreviventes nos escombros de um edifício residencial destruído por um ataque aéreo israelita, no campo de refugiados de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Foto Haitham Imad/EPA

Pelo menos 2.750 palestinianos morreram e outros 9.700 ficaram feridos nos bombardeamentos israelitas a Gaza desde o dia 7 de outubro, anunciou esta segunda-feira o ministro da Saúde de Gaza, citado pela Reuters. O número de vítimas mortais numa semana em Gaza já ultrapassa o dos 51 dias de conflito em 2014. Também na Cisjordânia e Jerusalém Oriental já morreram 54 pessoas e mais de 1.100 ficaram feridas na última semana, a maior parte na sexta-feira durante os protestos convocados por várias organizações palestinianas. Do lado israelita, os ataques do Hamas a vários colonatos e um festival de música trance provocaram mais de 1.300 mortes civis. O exército anunciou que há 199 reféns em poder do Hamas.

"Estamos à beira do abismo no Médio Oriente", afirmou no domingo António Guterres, renovando o apelo ao Hamas para que liberte de imediato e sem condições os reféns na sua posse e a Israel para garantir que a ajuda humanitária possa chegar rapidamente e sem obstruções à população civil de Gaza.

"Cada um destes objetivos é válido por si. Não devem ser transformados em moeda de troca e devem ser implementados porque é o que se deve fazer", prosseguiu o secretário-geral da ONU.

No último balanço publicado na noite de domingo, a agência da ONU para os refugiados na Palestina (UNRWA)  confirma a morte de 14 funcionários da organização, mas diz que o número é provavelmente maior, com os bombardeamentos israelitas a atingirem 23 instalações da UNRWA na Faixa de Gaza. Mais de um milhão de pessoas foram desalojadas, das quais 400 mil se encontram em instalações desta agência, que reconhece não ter meios para ajudar tanta gente. Apesar da ordem israelita de evacuação do norte de Gaza, a UNRWA diz que um número indeterminado de deslocados ainda se mantém refugiado nas escolas e instalações de emergência da agência, embora esta já não tenha capacidade de lhes prestar assistência.

Além da falta de eletricidade pelo quinto dia consecutivo, a UNRWA denuncia ainda a falta de acesso à água potável e que "como último recurso, as pessoas estão a consumir água salobra de poços agrícolas, o que levanta sérias preocupações quanto à propagação de doenças transmitidas pela água". Na Cisjordânia, as equipas da UNRWA dizem estar a ser impedidas de viajar para os locais de trabalho devido aos bloqueios e checkpoints das tropas de Israel.

Europa responde a von der Leyen com concentrações de apoio à Palestina

As declarações da líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, dando apoio incondicional à resposta israelita aos ataques do Hamas, provocaram mal-estar em muitos países por ficar em silêncio sobre os crimes de guerra cometidos nessa resposta militar. O presidente do Conselho, Charles Michel, convocou uma reunião de urgência dos governos para esta terça-feira para afinarem uma resposta comum ao conflito e à consequente catástrofe humanitária.

Nas ruas de muitos países, ouviram-se este fim de semana as vozes de apoio à Palestina. Em Madrid juntaram-se cerca de 30 mil pessoas a exigir sanções a Israel pela limpeza étnica que vem promovendo nos territórios palestinianos e a criticar a passividade da comunidade internacional face às continuadas violações das resoluções das Nações Unidas por parte dos governos de Telavive. No sábado, milhares de pessoas encheram as ruas de Barcelona, Dublin, Edimburgo, Glasgow Londres, Liverpool, Manchester, Amesterdão, Estocolmo, Milão, Florença, Turim, entre outras cidades. Apesar da proibição de protestos pró-Palestina na Alemanha, cerca de 700 pessoas saíram  às ruas de Dusseldorf.