Greve em Hollywood: atores podem vir a juntar-se aos argumentistas

06 de junho 2023 - 17:00

Os argumentistas estão em greve já há seis semanas. Os atores decidiram juntar-se-lhes se não for alcançado um acordo até ao fim deste mês. Salários, compensações pela reprodução do seu trabalho nas plataformas de streaming e proteção face à inteligência artificial são reivindicações que unem as duas classes.

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Atores em solidariedade com argumentistas em greve. Foto do SAG-AFTRA.

Com 98% dos 65.000 votos expressos, os atores norte-americanos, representados pelo SAG-AFTRA, decidiram na noite desta segunda-feira autorizar a convocatória de greve caso não haja acordo com a Alliance of Motion Picture and Television Producers, a entidade patronal que representa os grandes estúdios de Hollywood e as maiores plataformas de streaming.

As negociações iniciam-se esta quarta-feira e, se até dia 30 de junho, data em que expira o acordo anterior, não for alcançado novo entendimento, os atores de Hollywood voltarão a fazer greve 23 anos depois do último processo de luta que durou perto de seis meses, juntando-se assim aos argumentistas que já estão em greve há seis semanas.

Os dois grupos de trabalhadores têm reivindicações semelhantes como melhorias salariais e nas condições de trabalho, uma compensação mais justa quando o seu trabalho é reproduzido nas plataformas de streaming e garantias face aos avanços da “inteligência artificial”.

A greve dos argumentistas começou por ter impacto nos programas de atualidade para em seguida chegar a afetar séries famosas como "Stranger Things" e "The Last of Us" cuja produção está suspensa. O Writers Guild of America, sindicato que representa 11.500 argumentistas, reivindica aumentos de 5% e 6%, a contratação de mais argumentistas por produção, contratos de pelo menos 10 semanas por ano, limitações à utilização de inteligência artificial na escrita de guiões e a renegociação dos pagamentos por streaming.

Já o SAG-AFTRA representa 160.000 atores. E o seu representante nas negociações, Duncan Crabtree-Ireland, garante que não vão aceitar “nada menos do que os nossos membros merecem”, que querem chegar a acordo mas estão preparados para a greve se isso for necessário.

No domingo, o sindicato que representa 19.000 realizadores, o Directors Guild of America, anunciou que tinha chegado a um acordo com os estúdios de Hollywood, válido para os próximos três anos, reivindicando ter obtido “ganhos sem precedentes” em algumas das reivindicações que atores e argumentistas também procuram obter, como as melhorias salariais, o pagamento por reprodução no streaming e o reconhecimento que a inteligência artificial não pode substituir as tarefas realizadas pelos seus membros. Os detalhes do acordo, contudo, não foram revelados.