O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) estimou à agência Lusa uma adesão no início da greve a rondar os 92% nos centros de saúde e os 89% nos hospitais. "Isto demonstra a grande insatisfação que os médicos têm tido em relação a um Governo que não apresenta propostas", diz Jorge Roque da Cunha no arranque de três dias de greve nacional.
No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra a adesão superou os 90%. “Muitas consultas foram desmarcadas e os blocos operatórios estão todos encerrados, com exceção do bloco do serviço de urgências”, disse à Lusa José Carlos Almeida, o secretário regional do Centro daquela estrutura sindical. “No Hospital de São João só uma das 12 salas de bloco operatório está a funcionar. A adesão à greve no bloco operatório de Viana do Castelo é de 100%”, apontou Hugo Cadavez do SIM, dando nota da elevada adesão em Vila Real e Vila Nova de Gaia. Na USF Godinho Faria, em Matosinhos, Hermínia Teixeira diz que “não está nenhum médico de família a trabalhar”, o mesmo acontecendo na USF de Vila Meã, em Amarante, enquanto no Hospital Pedro Hispano “apenas a sala de urgência está a funcionar”.
O objetivo da greve é o de obrigar o Governo a apresentar uma proposta concreta de revisão da grelha salarial ao fim de mais de um ano de negociações. Tanto o SIM como a FNAM prometeram não comparecer à próxima reunião com o Governo caso este não formalize antes uma proposta por escrito.
Na segunda-feira, o ministro Manuel Pizarro disse aos jornalistas que iria entregar essa proposta. "Aguardamos serenamente que o senhor ministro cumpra e, na quarta-feira, nos envie os documentos para que possamos, de facto, iniciar a negociação", disse Roque da Cunha, acrescentando que as expectativas "são muito limitadas".
"Eu sou sempre uma pessoa otimista e sempre com grande vontade de fazer acordos e evitar ao máximo, como fizemos até agora, as greves, mas a realidade confronta-se com o meu otimismo e a realidade é que ganha", acrescentou o líder do SIM.