Farmacêuticos do SNS registam 90% de adesão à greve

24 de julho 2023 - 19:05

Os cerca de 1.110 farmacêuticos do SNS fazem esta segunda-feira um dia de greve nacional de protesto contra a falta de resposta do Governo às suas reivindicações. E os médicos de família iniciaram a greve ao trabalho extraordinário convocada pelo SIM.

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Placa com a inscrição "Farmácia Hospitalar
Foto de Paulete Matos.

A adesão à greve nacional dos farmacêuticos do Serviço Nacional de Saúde ronda os 90%. "Mantemos a adesão que temos tido nas outras greves, o que é expectável, porque infelizmente não temos motivos para que os farmacêuticos não adiram”, disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF), Henrique Reguengo.

O sindicalista diz que “a atenção que tem sido dada à área farmacêutica no SNS é próximo do zero” e o Governo tarda em dar resposta às reivindicações destes profissionais, que passam pela atualização das grelhas salariais, a contagem integral do tempo de serviço para a promoção e progressão na carreira, a adequação do número de farmacêuticos às necessidades do serviço público e o reconhecimento por parte do Ministério da Saúde do título de especialista.

O sindicato lamenta que o Ministério da Saúde “continue em silêncio e sem manifestar qualquer intenção de iniciar um processo negocial sério” e promete regressar à luta com greves distritais a 5 e 12 de setembro e nova greve nacional no dia 19 desse mês.

Questionado pelos jornalistas no final de uma visita às obras de requalificação do centro de saúde de Seia, o ministro da Saúde disse que houve mudanças nos últimos anos, como a criação da carreira do farmacêutico hospitalar do SNS, em 2017, e o início da primeira residência farmacêutica nos hospitais públicos, em janeiro deste ano. “Acho que é claro que é um avanço, também é claro que há problemas a resolver que precisam de diálogo entre o Ministério da Saúde e os farmacêuticos e esse diálogo acontecerá”, assegurou Manuel Pizarro.

Pizarro promete escrever proposta antes da reunião com os médicos

O ministro também se referiu à greve às horas extraordinárias dos médicos de família, convocada pelo SIM a partir desta segunda-feira. E desvalorizou o seu efeito, ao afirmar que  os cuidados de saúde primários estão “relativamente pouco dependentes das horas extraordinárias”, que são usadas sobretudo nos serviços de urgência.

Além desta greve às horas extraordinárias, o SIM convocou uma greve nacional para os próximos três dias, de 25 a 27 de julho. O sindicato afirma que o recurso à greve "é o resultado do total desinteresse do Governo em querer travar o descalabro do SNS" e sublinha que no nosso país "não há falta de médicos, há incapacidade negligente do Governo em os contratar para o Serviço Nacional de Saúde"

"O atual SNS não sobrevive sem milhões de horas extra e o esforço desumano dos médicos, que coloca em risco a sua saúde e a saúde de quem assistem. Não é possível continuar neste caminho!", afirma o SIM, que recusa "o regime de 52 horas de trabalho semanais proposto pelo Governo" e defende "salários dignos, adequados à sua formação e à responsabilidade da sua profissão, horários de trabalho humanos e tempo para ter uma família e se atualizarem cientificamente".

Até agora, e apesar de se ter esgotado em junho o prazo de mais de um ano entre Governo e sindicatos, o Ministério da Saúde ainda não apresentou uma proposta concreta de valorização das grelhas salariais. No final da reunião da semana passada, o SIM e a FNAM afirmaram que não irão regressar à mesa negocial enquanto o Governo não lhes entregar uma proposta. Esta segunda-feira, Manuel Pizarro comprometeu-se a enviar essa proposta escrita aos sindicatos antes da reunião de sexta-feira.

“As negociações têm decorrido num ambiente de grande franqueza entre ambas as partes e antes de haver um papel escrito é muito útil que se perceba quais são as fronteiras que cada uma das partes quer ver consagrada”, afirmou o ministro à Lusa, sem explicar como é que ao fim de quinze meses de reuniões ainda não conseguiu discernir essas "fronteiras".