"A greve de sexta feira talvez vá ser uma das maiores de sempre na administração pública, porque os trabalhadores não aguentam mais cortes e sacrifícios", afirmou a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, em declarações à agência Lusa.
"Esta política de cortes provavelmente não fica por aqui e, por isso, os trabalhadores têm que perceber que têm de protestar e lutar, apesar das dificuldades económicas que vivem", avançou, por sua vez, José Abraão, dirigente da Federação Sindical da Administração Pública (FESAP).
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, também reforçou a ideia de que será uma “grande greve”, marcada pela “defesa do interesse público e da prestação de serviço público”, mas também “pela necessidade de defender as funções sociais do Estado (a Saúde, a Segurança Social e a Educação)”.
Segundo os dirigentes sindicais, a paralisação desta sexta feira irá afetar essencialmente o funcionamento de hospitais e centros de saúde, escolas, tribunais, repartições de finanças e administração local. Nas autarquias, a recolha de lixo e os transportes municipalizados, existentes em cidades como Braga, Coimbra e Barreiro, ficarão comprometidos.
A greve da Função Pública constitui uma forma de protesto contra as medidas de austeridade previstas no Orçamento do Estado para 2014, que visam sobretudo os funcionários públicos, retirando salário a mais de meio milhão destes trabalhadores, e que servirão de antecâmara para um ataque generalizado também aos direitos dos trabalhadores do setor privado.
Os cortes salariais previstos no Orçamento variam entre 2,5% e 12%.Segundo uma simulação da consultora PricewaterhouseCoopers, citada pela agência Lusa, quem ganha um salário bruto de 1500 será alvo de um corte de 86 euros, faltando depois descontar as retenções de IRS e as contribuições para a Segurança Social. Os salários brutos de 1250 euros, que também escapavam aos cortes do ano passado, irão perder 55 euros. E mesmo os salários que já sofriam cortes, como o de 2500 euros brutos, são penalizados mensalmente em mais 54,6 euros de acordo com esta simulação. Nas contas reais, há que somar ao valor dos cortes outras penalizações do Orçamento, como o congelamento dos escalões e das deduções do IRS, que não verão os seus valores atualizados com a inflação, agravando ainda mais o imposto a pagar.