Greve Geral da Função Pública conta com uma das maiores adesões dos últimos anos

08 de novembro 2013 - 13:33

O líder da CGTP, Arménio Carlos, afirmou que a adesão à greve constitui uma "resposta à altura" dos trabalhadores face às políticas austeritárias do Governo. Coordenador nacional do Bloco de Esquerda, João Semedo, referiu que esta “é uma greve geral que defende os interesses de todos os portugueses”. Veja neste artigo os números da adesão à greve. Última atualização às 20h34 de 08.11.2013.

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“Uma das maiores adesões dos últimos anos”

"Trata-se de uma enormíssima adesão de todos os serviços, escolas, finanças, segurança social, autarquias (...). As coisas estão a correr bem e vão continuar. Estes trabalhadores e trabalhadoras estão todos os dias a ser mal tratados pelo Governo", afirmou esta manhã o secretário geral da CGTP, Arménio Carlos.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, salientou "a grande adesão dos funcionários públicos à greve" considerando que souberam responder com “uma fortíssima mobilização” à “carga pesadíssima” que recai sobre eles.

"Esta greve é, seguramente, uma das greves com maior adesão realizada nos últimos anos", reforçou Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, esclarecendo que, por voltas das 12h, a adesão à paralisação se situava entre os 70% e os 100% a nível nacional.

Uma greve que “defende os interesses de todos os portugueses”

"Julgo que uma greve geral como esta, e com os dados que entretanto fui ouvindo e recolhendo, é uma grande greve geral. Mas também quero dizer que quem faz greve sai muito prejudicado. É preciso muita coragem, muita força, muita determinação, muita confiança na luta de que vale a pena fazer greve para defender os interesses de todos os colegas e de toda a população portuguesa", afirmou o coordenador nacional do Bloco de Esquerda, João Semedo.

"Os serviços públicos são aquilo que o Estado tem para dar a todos os portugueses, pago pelos impostos de todos os portugueses: escola pública, serviço nacional de saúde, repartições de finanças, serviços de limpeza, tanto serviço público que está hoje ameaçado pela política do Governo. É por isso que eu estou solidário com esta greve", frisou.

Adesão massiva em setores como a Educação e a Saúde

Na área da Educação, “há hoje mais escolas encerradas do que noutras situações anteriores idênticas”, avançou a Federação Nacional da Educação (FNE)

A FNE considera ainda que “os números da adesão, nos mais variados setores, são bem a expressão do forte descontentamento e da total rejeição de uma sucessão de políticas de austeridade que não têm tido resultados para as pessoas”, sublinhando que “os beneficiários da austeridade continuam a não ser as pessoas, estas, pelo contrário, só têm pela frente a ameaça de mais austeridade”.

“O balanço que fazemos em relação aos dados que nos chegaram é que a greve está a ter um impacto fortíssimo na educação, com as escolas sem aulas e encerradas um pouco por todo o país”, afirmou, por sua vez, o líder da Fenprof.

Para Mário Nogueira, os “ataques” do Governo à educação foram “muito evidentes” esta semana, referindo “o benefício de privados, com a delapidação de dinheiros públicos”, o Orçamento do Estado e guião da reforma do Estado como sinais ”clarinhos de que o futuro para este Governo, e mantendo-se estas políticas, passa pelo desemprego, por reduzir os salários ainda mais, por privatizar, por pôr em causa o futuro das pessoas e da educação, o ensino de qualidade e da escola pública”.

Segundo a Fenprof, pelo menos metade das escolas de todo o país encerraram.

Na área da Saúde, e segundo avançou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, José Carlos Martins, a adesão à greve geral entre os enfermeiros durante o turno da manhã estima-se entre 70 e 80 por cento. Quanto ao turno da noite, a adesão dos enfermeiros foi de 73 por cento.

Os enfermeiros "lutam por uma alteração a este orçamento, combatem as medidas que são inerentes ao orçamento e às políticas que são a questão de fundo de tudo isto que, em última análise, só tem solução com a exigência de um novo Governo e com a demissão deste, não há alternativa", sublinhou José Carlos Martins.

Pelo menos 18 serviços de Finanças encerraram, revelou o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), sublinhando que este número ainda não tem em conta os serviços de Lisboa.

A adesão dos funcionários judiciais à greve situou-se entre os 70 e os 80 por cento e levou ao encerramento de diversos tribunais no país, indicou Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).