Habitação

Governo espanhol manda Airbnb eliminar mais de 65.000 anúncios ilegais

19 de maio 2025 - 20:55

O Tribunal Superior de Justiça deu razão ao executivo no caso de uma primeira série de 5.800 anúncios, obrigando a empresa a apagá-los. O ministro Bustinduy celebrou a “vitória clara”, que mostra ser possível “garantir que nenhum interesse económico prevaleça sobre o direito à habitação”.

PARTILHAR
Airbnb em Espanha
Airbnb em Espanha. Foto Facua.

O Ministério dos Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030 de Espanha ordenou esta segunda-feira que a plataforma de arrendamento turístico de muito curta duração Airbnb retire 65.935 anúncios considerados ilegais. O Governo explicou que enviou “nos últimos meses” três resoluções à multinacional nas quais requeria o bloqueio dos anúncios não conformes a leis autonómicas ou nacionais sobre habitação.

O comunicado da pasta dirigida por Pablo Bustinduy informou ainda que o Tribunal Superior de Justiça já se pronunciou sobre o conteúdo da primeira das resoluções, que tinha sido alvo de recurso pela Airbnb, e que o desfecho lhe foi favorável com a sentença a obrigar a empresa a eliminar “de maneira imediata” uma primeira série de 5.800 anúncios.

Pablo Bustinduy, citado pela agência EFE, disse que decisão do tribunal foi uma “vitória clara” para a defesa do direita à habitação, tomando-a como uma demonstração de que “quando se atua com vontade política e com determinação para pôr ordem em matéria de habitação, os resultados confirmam essas ações” e de que “é possível garantir que nenhum interesse económico prevaleça sobre o direito à habitação e que nenhuma empresa, por maior ou mais poderosa que seja, se coloque acima da lei”.

As infrações em questão são várias. Entre elas, a mais comum é a ausência do número de licença para a atividade, números de licença “que não correspondem aos emitidos pelas autoridades” ou a opacidade sobre a natureza jurídica dos senhorios, não sendo assim possível cumprir as obrigações a que estão obrigados.

Corre ainda um outro processo anterior contra a empresa por esta se ter recusado a eliminar outros milhares de anúncios de arrendamento turístico que não tinham licença. Trata-se de uma “infração grave”.

O mesmo Ministério fez saber que enviou uma lista com moradas de 15.200 apartamentos turísticos que operam ilegalmente na cidade de Madrid, tendo solicitado a José Luis Martínez Almeida, o presidente da Câmara, que “tomasse medidas para cessar a sua atividade e iniciasse um procedimentos sancionatórios”.

Bustinduy criticou ainda câmaras e comunidades autónomas, sobretudo aquelas que estão nas mãos da direita e que “nada fizeram sobre esta matéria nos últimos meses”.

A Airbnb respondeu ao executivo espanhol que a ordem estaria “em desacordo” com as normas espanholas e europeias e anunciou que iria recorrer todas as decisões tomadas. Uma das alegações da empresa é que este Ministério “não tem competências” na matéria e que a empresa não pode ser considerada um serviço imobiliário, outra é que a lista foi feita de forma “indiscriminada” incluindo arrendamentos que podem não precisar de licença, defendendo ainda que nem todos os anúncios na sua plataforma precisam de número de registo.

Termos relacionados: InternacionalHabitaçãoEspanha