A campanha do Bloco para as legislativas regionais dos Açores de 4 de fevereiro, prosseguiu este fim de semana com um jantar com apoiantes para a apresentação da candidatura na ilha Terceira, encabeçada pela atual deputada Alexandra Manes. A primeira candidata pela ilha sublinhou que “o Bloco tem dado provas da importância da sua presença no parlamento açoriano” e deu exemplo de duas vitórias na última legislatura: a redução do pagamento de juros da Região à EDA, que poupou milhões de euros aos contribuintes e os trinta postos de trabalho que ficaram a salvo depois da ameaça de despedimento pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, liderada pelo PSD e CDS.
“Temos liderado a oposição”, assinalou Alexandra Manes, destacando o trabalho de “fiscalização, denúncias e sobretudo apresentando soluções” que o Bloco tem desenvolvido no parlamento. A candidata disse também que a “Terceira foi votada ao esquecimento” pela coligação, que não conseguiu qualquer avanço em relação aos investimentos necessários para o porto das Lajes e para o aeroporto, e que deixou o problema da contaminação de aquíferos exatamente na mesma.
Catarina Martins: Governo de direita foi "congregação de trapalhadas”
O jantar contou com a presença da ex-coordenadora nacional Catarina Martins, que tem participado nos últimos dias na campanha do Bloco/Açores. Nos Açores “tem sido o Bloco a combater pela defesa do salário, pelos serviços públicos que garantem respostas fundamentais a todas as pessoas, e a combater os privilégios e as negociatas em nome de uma região transparente”, disse Catarina, classificando a coligação de direita que governou os Açores nos últimos anos como uma "congregação de trapalhadas”, que aconteceu em cima de uma crise grave, e que piorou os indicadores de desenvolvimento da Região. “A direita, junta, é só trapalhada e crise em cima da crise”, apontou.
Para o coordenador bloquista açoriano e candidato pelo circulo de São Miguel, o governo de José Manuel Bolieiro caiu porque os resultados são “um desastre no que é essencial”, pois no seu mandato aumentou a pobreza, as desigualdades, o abandono escolar precoce, o subfinanciamento do Serviço Regional de Saúde e a dívida da Região.
“Se o governo de Bolieiro, do PSD, do CDS, do PPM, do CH e da IL era assim tão bom, então porque é que caiu?”, perguntou o coordenador do Bloco nos Açores, para logo a seguir explicar que os antigos parceiros “fugiram porque o resultado desse governo foi um desastre”.
“Bolieiro dizia que ia reduzir a pobreza nos Açores, e aumentar rendimentos”, mas “a pobreza aumentou nos Açores e temos a maior proporção de população sem abrigo do país”, “Bolieiro dizia que o abandono escolar precoce ia descer”, mas aumentou e “está 20 pontos acima da média nacional”, apontou o coordenador do Bloco.
Sobre a Saúde, António Lima salientou que “a falta de recursos, a dívida e o subfinanciamento, já ultrapassaram os piores tempos dos governos do PS”.
António Lima: "O Chega tratou muito bem os tachos de Bolieiro”
“Bolieiro e a direita diziam que iam baixar a dívida pública regional”, mas “afinal ela nunca aumentou tanto em tão pouco tempo: mais de 600 milhões de euros em dois anos”.
A precariedade na administração pública manteve-se e a desigualdade entre ricos e pobres aumentou, fazendo dos Açores a região mais desigual do país. António Lima lembrou também que Bolieiro prometeu “desgovernamentalizar a sociedade”, mas afinal colocou “boys partidários cada lugar possível e imaginário na administração pública”.
“O Chega, que tem por aí uns cartazes a dizer que quer acabar com os tachos, tratou muito bem os tachos de Bolieiro”, apontou António Lima.
A alternativa que o Bloco apresenta é “ter a coragem de enfrentar os grandes interesses que dominam os Açores”, como o negócio que o Bloco denunciou “que garantiu 22 milhões de euros de rendas excessivas ao grupo Bensaúde através da venda de combustível à EDA”.
O Bloco quer integrar todos os precários do Serviço Regional de Saúde e do sector da Educação para “dar dignidade a quem garante que a saúde e a escola funcionam”. Propõe ainda criar um plano de combate ao abandono escolar precoce, tornar o ensino superior gratuito para os jovens dos Açores, garantir o financiamento adequada ao Serviço Regional de Saúde e implementar novas políticas de fixação de profissionais de saúde são outras das propostas fortes que o Bloco apresenta nestas eleições.
“A direita, com ou sem o Chega no governo, não fará nada disto, e uma nova maioria absoluta do PS será apenas um regresso ao passado”, disse António Lima, que quer o Bloco com mais força para dar esperança no futuro.