A cada início de ano perspetiva-se sobre o que o ano que inicia pode trazer. Que mudanças se esperam, com que momentos decisivos podemos estar confrontados.
Frequentemente a realidade finta qualquer capacidade de antecipação e previsão e os acontecimentos imprevistos dão e baralhão o jogo da vida. Nos últimos anos, vários acontecimentos disruptivos e imprevisíveis criaram crises profundas e rupturas irreparáveis. A pandemia da COVID-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia, a queda do governo da república de maioria absoluta do PS, são exemplos recentes de acontecimentos deste tipo.
Poderemos deparar-nos, em 2024, com novos acontecimentos imprevistos. Mas independentemente dos acontecimentos imprevistos não restam dúvidas que o ano será de grandes decisões. Nos Açores três atos eleitorais estão no calendário. Em cada um deles seremos chamados a nos pronunciarmos sobre o que queremos para os Açores, para o país e para a Europa.
Seremos chamados a decidir se queremos manter tudo como está ou mudar. E se é para mudar, em que sentido.
No que respeita aos Açores, a mudança não passa por quem governou os Açores nos últimos anos. Bem sei que os partidos que apoiaram o governo regional de direita temtam agora dizer e escrever amiúde que nada tiveram que ver com os maus resultados da governação.
O CH, que apoiou a coligação PSD/CDS/PPM e lhes permitiu chegar ao governo pode bem dizer que quer acabar com os tachos, mas foi este governo que, segundo o tribunal de contas que confirmou irregularidades já apontadas pelo Bloco, nomeou para quase tudo o que era lugar de direção quem quis, sem cumprir a lei.
E bem pode Bolieiro e os seus parceiros de coligação fingir agora que a IL não era de confiança, pois todos nos lembramos dos elogios no período de lua-de-mel de 2021.
A pessoalização das críticas, as acusações de caráter pessoal sobre o passado e o caráter de cada um dos líderes da direita a que assistimos nos últimos tempos e que se tornam cada vez mais evidentes entre os cinco partidos da direita que se uniram para governar os Açores, escondem a ausência de diferenças relevantes na política.
É por isso que votar na direita, em qualquer dos partidos da direita, é um cheque em branco para deixar tudo como está. Um governo de Bolieiro e da coligação PSD/CDS/PPM será mais do mesmo. Mais da mesma confusão permanente, os mesmos resultados negativos na educação, na saúde, na falta de respostas para a habitação, nas condições de vida e no investimento público que não sai do papel.
Por outro lado, sabemos bem o que significam as maiorias absolutas do Partido Socialista. A última maioria do Governo de António Costa recordou-nos disso. A falta de resposta aos problemas do país, a arrogância e a suposta autossuficiência. As mesmas soluções que a direita preconiza, com pinceladas de preocupação social. Os Açores não precisam disso.
Os Açores precisam de mudanças efetivas que coloquem no centro da política as pessoas, os seus problemas e o desenvolvimento dos Açores. Não basta haver crescimento económico. O crescimento de pouco serve se os serviços públicos estão em decadência e se o salário não chega para pagar a renda da casa e a conta do supermercado.
São mesmo precisas mudanças. Só uma ruptura com a política das últimas décadas, uma verdadeira viragem à esquerda, pode trazer resultados diferentes e não mais do mesmo.