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Global Media não pagou indemnizações a trabalhadores despedidos

Os 81 trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo anunciado pelo grupo em outubro não estão a receber os pagamentos acordados, denuncia o Sindicato dos Jornalistas.
Imagem de António Cotrim, Lusa arquivo.

A Global Media Group, de que fazem parte o Jornal de Notícias, Rádio TSF ou Diário de Notícias, entre outros, foi adquirida pelo empresário Marco Galinha (Grupo BEL) em 2019 e entrou num processo acelerado de degradação laboral durante 2020, apesar das aquisições de participações noutras empresas que Marco Galinha tem vindo a realizar, bem como de ter recebido ajudas diretas do Estado, no valor de 865 mil euros.

Em abril de 2020, o grupo colocou 538 trabalhadores em lay-off, e em outubro anunciou um despedimento coletivo de 81 trabalhadores. Os pacotes de despedimento incluem indemnizações mensais que, para alguns trabalhadores, não estão a ser cumpridas.

“O Sindicato dos Jornalistas (SJ) foi informado de que o Global Media Group não cumpriu o que acordou com alguns dos trabalhadores que foram alvo do mais recente despedimento coletivo”, relata a Agência Lusa.

O sindicato recorda que “esse acordo implica o pagamento faseado (mensal) da indemnização por cessação do contrato o que, em alguns casos, não aconteceu este mês”.

Até ao momento, recordam, “não foi dada qualquer justificação aos lesados para a falta de pagamento, sendo que a empresa não teve sequer o cuidado de os contactar previamente a avisar do ‘atraso’, o que tratando-se de desempregados, na sua maioria a passar por graves dificuldades financeiras, é, além do mais, deplorável”.

A 22 de abril deste ano, a Global Media anunciou ainda a adesão ao regime de apoio à retoma progressiva, o que lhe permitiu cortar horários até 40% de trabalhadores do quadro bem como cortar 6% dos salários acima dos 1995 euros. Simultaneamente, os trabalhadores precários do grupo, que ultrapassam largamente em número os trabalhadores do quadro nas redações, sofreram atrasos nos pagamentos mensais das suas peças, uma situação também denunciada pelo sindicato e que levou à iniciativa do Bloco de Esquerda para uma audição parlamentar com o sindicato, bem como o CEO do grupo, Marco Galinha.

A situação levou o sindicato “e os delegados sindicais do JN, DN, TSF e O Jogo a solicitar uma reunião urgente à administração do grupo”, que ainda não foi marcada.

“O SJ lembra que o empresário Marco Galinha tornou-se acionista e presidente do Conselho de Administração do GMG há cerca de seis meses”, tendo anunciado, na altura, "em várias entrevistas, planos de investimento para o grupo e para os seus trabalhadores, mas que até à data, e sem qualquer explicação adicional, não se verificaram”, refere a estrutura.

O SJ “classifica de grave o protelar no agendamento de reuniões com os seus representantes dos trabalhadores, por gerador de um ambiente de trabalho de insatisfação e muita insegurança”, entendendo que “urge à administração do GMG dar uma explicação cabal sobre a real situação” da empresa. Contactado igualmente pela Lusa, o CEO da empresa não prestou qualquer declaração.

Mais de 100 jornalistas despedidos desde o início da crise

Em declarações numa conferência organizada pela Associação Sindical de Jornalistas de Cabo Verde, Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, relembrou que mais de 100 jornalistas foram despedidos em Portugal desde o início da crise pandémica. 

"Sinceramente, não prevejo boas notícias para o setor neste e no próximo ano", sobretudo quando estes apoios extraordinários deixarem de existir", afirmou Sofia Branco, citada pela Agência Lusa.

"Vamos ter um setor mais reduzido, menos diverso, muitos jornalistas independentes não terão aguentado", previu a jornalista e dirigente sindical que antecipa também uma diminuição no número de jornalistas em Portugal, dando conta que até agora mais de 100 profissionais já foram despedidos, prevendo-se para breve o terceiro despedimento coletivo em grupos diferentes.

No ano passado, o Governo português aprovou o 'lay-off' simplificado para fazer face à crise provocada pela pandemia da covid-19, com a presidente do sindicato a reconhecer que é "muito útil" no imediato, mas salientou que protege muito pouco os trabalhadores.

"Depois do 'lay-off' ou uns meses depois, as empresas já podem fazer um despedimento coletivo. Ora, a medida devia pressupor muito maior segurança", criticou Sofia Branco.

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