EUA

A “Gestapo de Trump” voltou a matar em Minneapolis

25 de janeiro 2026 - 12:48

Agentes do ICE balearam mortalmente um enfermeiro de 37 anos no sábado. Tal como no assassinato de Renée Good, o vídeo e testemunhas do incidente contradizem a versão dos agentes federais.

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Agentes do ICE este sábado em Minneapolis após o assassinato de Alex Pretti.
Agentes do ICE este sábado em Minneapolis após o assassinato de Alex Pretti. Foto Chad Davis/Flickr

A polícia de imigração (ICE) enviada por Donald Trump para apanhar imigrantes na cidade de Minneapolis, no estado do Minnesota, voltou a matar um cidadão estadunidense este sábado nas ruas da cidade. É a segunda vez que o ICE dispara a matar sobre cidadãos que testemunham as suas ações na cidade. Dos três homicídios registados em Minneapolis em 2026, dois foram da autoria dos agentes desta força federal.

Alex Pretti, 37 anos, era enfermeiro nos cuidados intensivos de um hospital que atende veteranos de guerra. Foi morto enquanto documentava a ação dos agentes do ICE e se interpôs entre os agentes e uma mulher a quem estes atiravam gás pimenta.

Segundo o vídeo captado no momento e as testemunhas no local, Pretti foi imobilizado e atirado ao chão. Um dos agentes retirou a arma que Alex trazia consigo, sem nunca a ter empunhado, e outro disparou vários tiros quando a vítima estava no chão.

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A versão da administração Trump é de que os agentes agiram em legítima defesa e que Alex seria um “terrorista interno” que se preparava para fazer um massacre. Mais tarde soube-se que o enfermeiro tinha licença de porte da arma que transportava consigo e que o vídeo mostra que nunca esteve nas suas mãos.

“Os agentes deitaram o homem no chão. Não vi ele tocar em nenhum deles – ele nem estava virado para eles. Não parecia que ele estava a tentar resistir, apenas a tentar ajudar a mulher a levantar-se. Não o vi com uma arma. Eles atiraram-no para o chão. Quatro ou cinco agentes imobilizaram-no no chão e começaram a disparar contra ele. Dispararam tantas vezes... Não sei por que razão dispararam contra ele. Ele estava apenas a ajudar. Eu estava a um metro e meio dele e eles simplesmente dispararam contra ele…”, contou uma das testemunhas citadas pelo Guardian.

“Eu li a declaração do Departamento de Segurança Interna (DHS) sobre o que aconteceu e está errada. O homem não se aproximou dos agentes com uma arma. Ele aproximou-se deles com uma câmara. Ele estava apenas a tentar ajudar uma mulher a levantar-se e eles atiraram-no ao chão”, prosseguiu.

As temperaturas gélidas nos EUA não impediram que milhares de pessoas saíssem à rua no sábado em várias cidades para protestar contra mais uma morte ás mãos dos agentes do ICE, também conhecidos como “a Gestapo de Trump” pelas rusgas que fazem a domicílios ou locais públicos para capturar imigrantes. Além do governador do Minnesota, também a governadora do estado do Maine já pediu a Trump que retire os seus agentes desta força policial do seu estado. O líder da bancada dos Democratas no Senado Chuck Schumer, anunciou que irá bloquear a aprovação do financiamento de 10 mil milhões de dólares para o ICE. E o Republicano que preside à comissão de segurança interna na Câmara dos Representantes, Andrew Gabarino, chamou os responsáveis do ICE e de outras agências de imigração para uma audição.

“Estou indignado e envergonhado com a ilegalidade, o fascismo e a crueldade do Departamento de Segurança Interna”, afirmou nas redes sociais John Mitnick, o homem que foi o procurador principal deste Ministério na primeira administração Trump.

Lóbi das armas aliado de Trump ficou dividido

O assassinato de Alex Pretti e a reação do governo Trump enfureceram até o setor de apoiantes do Presidente no lóbi pró-armas. Um dos ativistas mais conhecidos e apresentador de rádio, Cam Edwards, defende que “nós, o povo, temos o direito de portar armas em público” e que ele próprio já encontrou “inúmeros polícias enquanto estava armado e nunca fui alvejado. A presença de uma arma de fogo, por si só, não é um indicador de intenção criminosa ou de ameaça às forças da ordem”. 

Mas os líderes deste lóbi, a National Rifle Association, reagiram à morte do enfermeiro responsabilizando o governador do Minnesota, Tim Walz e os políticos “progressistas radicais” que apelam às pessoas para interferirem nas ações dos agentes. Mais tarde, quando um procurador federal de Los Angeles alertou nas redes sociais que “se você se aproximar das autoridades com uma arma, é muito provável que elas tenham justificação legal para atirar em você. Não faça isso!”, a NRA classificou estas declarações como “perigosas e erradas”.