França Insubmissa foi a surpresa na primeira volta das eleições municipais

16 de março 2026 - 12:12

Numa primeira volta que permitiu à extrema-direita consolidar posições no poder local, as listas da França Insubmissa ultrapassaram as expetativas e são decisivas para a segunda volta em muitos municípios.

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Eleitor passa unto a cartazes eleitorais no dia da primeira volta das municipais francesas.
Eleitor passa unto a cartazes eleitorais no dia da primeira volta das municipais francesas. Foto de Christophe Petit Tesson

A estratégia de isolamento por parte dos socialistas franceses ao partido de Jean-Luc Mélenchon não produziu os resultados esperados na primeira volta das eleições municipais francesas este domingo. As listas da França Insubmissa (LFI) melhoraram bastante os resultados das eleições de há seis anos, conseguindo mesmo uma vitória à primeira volta em Saint-Denis, principal autarquia  de Seine Saint-Denis, nos arredores de Paris, com 150 mil habitantes. Também em La Courneuve (Seine Saint-Denis) e Roubaix (Nord) os candidatos da LFI ficaram à frente na primeira volta, confirmando o reforço da implantação nos bairros populares.

Na noite eleitoral, o coordenador da LFI, Manuel Bompard, apelou à formação de uma “frente antifascista” com a fusão de listas para a segunda volta de forma a evitar vitórias para o partido de Marine le Pen. Em cidades importantes, como Toulouse, Limoges ou Lille, os candidatos da LFI surgem à frente dos socialistas. “As listas apresentadas pela LFI viram os seus resultados duplicar, triplicar e mesmo quadruplicar em relação a 2020”, congratulou-se o coordenador do partido, após qualifica-se para centenas de segundas voltas a 22 de março.

França

Os colaboradores

por

Frédéric Lordon

05 de março 2026

Com este resultado, o voto da LFI será decisivo para o desfecho eleitoral em Paris, onde o candidato da lista PS-PCF-Ecologistas alcançou a mesma votação do que a soma da ex-ministra Rachida Dati, apoiada pelos Republicanos e do candidato do campo macronista, que a apoiará na segunda volta. Mas também em Marselha, onde o atual autarca socialista ficou apenas um ponto à frente do candidato da extrema-direita, ou em Lyon, onde os 10% da candidata da LFI contará para desempatar a corrida entre o atual autarca ecologista e o ex-presidente do maior clube de futebol da cidade, apoiado pela direita. O mesmo cenário acontece em Nantes, onde a a autarca socialista tem curta vantagem sobre o candidato da direita.

Os prazos para anunciar fusões de listas terminam esta terça-feira. O líder dos socialistas franceses excluiu a possibilidade de um acordo nacional com a LFI, abrindo a porta a acordos locais. Os socialistas conseguiram segurar o eleitorado nos principais bastiões eleitorais, embora muitas dessas eleições sejam decididas na segunda volta.

Também os ecologistas conseguiram contrariar as sondagens que os davam por derrotados em cidades que governam, como Lyon ou Bordéus. O partido apelou a “uniões o mais alargadas possível na segunda volta para eliminar a direita e a extrema-direita”, criticando o ex-socialista Raphael Glucksmann, agora à frente do Place Publique, por recusar qualquer acordo com a LFI na segunda volta. Quanto aos comunistas, viram o seu líder Fabien Roussel ser reeleito à primeira volta em Saint-Amanda-Les-Eux (Nord), tal como o autarca de Montreuil (Seine Saint-Denis) e pode vir a reconquistar Nimes na segunda volta face à União Nacional.

Na manhã de segunda-feira, o resultado dos apelos à união de listas com a LFI não eram uniformes. Em Toulouse o acordo foi alcançado e em Limoges está em negociação. Mas em Marselha e Bordéus, os candidatos socialista e ecologista recusaram a fusão de listas.

Extrema-direita consolida presença nos órgãos de poder local

Para o partido de Marine Le Pen e Jordan Bardella a noite foi também para cantar vitória, conseguindo reeleger 23 presidentes e consolidando a sua presença nos órgãos municipais no território, que são historicamente o calcanhar de Aquiles do partido. Em Paris, o candidato da União Nacional ficou com cerca de 1% dos votos, com o eleitorado da extrema-direita a preferir Sarah Knaffo, do concorrente Reconquista.

Numa eleição com abstenção recorde (à exceção da realizada na pandemia) e resultados muito fragmentados, com a possibilidade de segunda volta com seis listas nalguns municípios, quase todos puderam cantar vitória. Na sede dos Republicanos, comemorava-se a primeira posição a nível nacional e o primeiro lugar em mais de metade das autarquias com mais de nove mil habitantes. Já os partidos do campo macronista viram recuar o seu resultado eleitoral, recusando tirar lições nacionais desta primeira volta em que 11 ministros se apresentaram como candidatos.