Fórum Socialismo: "Pertual ten mais lhénguas - l Mirandés nun se puode morrer!

05 de setembro 2023 - 11:26

No fim de semana de debates de 8 a 10 de setembro em Viseu, o escritor e tradutor Alfredo Cameirão apresentará o painel "Pertual ten mais lhénguas - l Mirandés nun se puode morrer!".

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Foto de Vitor Oliveira, Wikimedia Commons.

A poucos dias da realização do Fórum Socialismo 2023 - programa aqui - o Esquerda.net publica alguns resumos das sessões que terão lugar em Viseu de 8 a 10 de setembro.


Pertual ten mais lhénguas - l Mirandés nun se puode morrer!

Mirandês é o nome dado à variedade linguística de origem astur-leonesa falada na Terra de Miranda, território histórico do nordeste de Portugal que abarca os concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro, e pela sua diáspora, espalhada pelo mundo. O mirandês foi língua não escrita e não documentada durante séculos, até à sua identificação e estudo por Leite de Vasconcelos no final do século XIX. Depois de um breve e limitado renascimento, fortes mudanças sociais e demográficas ocorridas ao longo do século XX na Terra de Miranda levaram a um gradual abandono da transmissão da língua de pais para filhos.

Considerando todas as mudanças, que enquadram e caracterizam a situação atual, a língua mirandesa está seriamente ameaçada. O último estudo, que uma equipa da Universidade de Vigo levou a cabo em 2020, apresenta uma estimativa preliminar de apenas cerca de 3000 falantes de mirandês na Terra de Miranda. Como fatores conducentes a esta situação, destacam-se o permanente êxodo demográfico, a falta de incentivos locais para o uso do mirandês no quotidiano (por exemplo no local de trabalho) e a inexistência de recursos para o ensino, para a aprendizagem e para a promoção da língua.

A diversidade linguística e cultural é uma riqueza para Portugal e parte integrante da nossa identidade. Aceitando a verdade histórica e sociológica, Portugal deve apresentar-se como país plurilingue e integrar essa referência nos programas das nossas Escolas, dando a conhecer a todos os cidadãos a existência da Língua Mirandesa, a sua origem e características.

A democracia linguística é um elemento importante da democracia em geral, assente no respeito pela diferença. Além de um problema de dignidade dos seus falantes, as línguas são também um problema ecológico, entendido em sentido amplo. Pela língua se exprimem culturas, tradições, saberes e modos de viver que são essenciais ao equilíbrio das sociedades e ao bem-estar dos cidadãos.

Defender e desenvolver a língua Mirandesa é um dever de cidadania que se impõe, não só à gente da Terra de Miranda, mas a todos os Portugueses.

Alfredo Cameirão