Forte adesão às greves dos trabalhadores da Rodoviária de Lisboa e bilheteiras da CP

01 de junho 2022 - 17:10

A adesão à greve de 24 horas dos trabalhadores da Rodoviária de Lisboa rondava esta manhã os 60 a 70%. Já a paralisação dos trabalhadores das bilheteiras da CP registava uma adesão de 85%. Aumentos salariais e melhoria das condições de trabalho estão na base destas iniciativas.

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Foto de xadoc_dna, Flickr.

O presidente do Sindicato Independente dos Trabalhadores da Rodoviária de Lisboa (SITRL), João Casimiro, explicou à agência Lusa que as reivindicações passam por um aumento salarial para 750 euros, por forma a “compensar o salário mínimo”. Atualmente, o ordenado médio de um trabalhador da RL ronda os 700 euros brutos.

Em causa está ainda a atualização do salário dos demais trabalhadores na mesma percentagem do que os dos motoristas, a atualização do subsídio de refeição nos mesmos termos percentuais do aumento do salário dos motoristas, a redução do intervalo de descanso para o máximo de duas horas e a valorização da carreira da manutenção.

Desde julho do ano passado, os trabalhadores da RL já promoveram treze greves. A mais recente realizou-se a 2 de maio, altura em que foi ainda entregue um pré-aviso de greve ao trabalho extraordinário para o mês de maio.

De acordo com João Casimiro, desta vez não foi apresentado um pré-aviso de greve ao trabalho extraordinário “para a empresa não ter a desculpa” e utilizar esse argumento por forma a alegar que os trabalhadores não estão interessados em negociar.

O dirigente sindical avançou que não foram agendadas novas paralisações por haver a expectativa de que a empresa volte à mesa das negociações.

A greve a decorrer esta quarta-feira prolonga-se até às 3h de quinta-feira.

Greve dos trabalhadores das bilheteiras da CP com adesão de 85%

A greve de 24 horas, convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, abrange os trabalhadores operacionais das bilheteiras e respetivas chefias, num total de 500 pessoas em todo o país.

Segundo a estrutura sindical, “a administração da CP e as tutelas continuam indiferentes ao brutal aumento do custo de vida, com uma taxa de inflação de 7,2%”, o que “significa que num salário de 1.000 euros os trabalhadores perdem 72 euros/mês”.

Neste contexto, os trabalhadores do comercial e transportes “entendem que valores entre 6,50 euros e 12,39 euros acrescidos de 0,14 euros no subsídio de refeição propostos pela CP são insuficientes”.

Acresce que as condições de trabalho com que se confrontam são “deploráveis”, com inúmeras estações sem climatização e instalações com mobiliário desadequado e velho.

A CP – Comboios de Portugal anunciou, no dia 16 de maio, que alcançou um acordo com doze sindicatos para a revisão do Acordo de Empresa. No entanto, as três estruturas que se encontravam em greve nessa data foram excluídas. Desse acordo consta um aumento salarial de 0,9%, com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2022, a uniformização do subsídio de refeição para 7,74 euros e a integração dos trabalhadores da ex-EMEF na tabela salarial da CP. O documento prevê ainda a aplicação aos trabalhadores da ex-EMEF das regras consagradas no Acordo de Empresa da CP relativamente à organização do trabalho, abonos e variáveis retributivas.

Considerando estas medidas insuficientes e insatisfatórias, os trabalhadores das bilheteiras aderiram massivamente à paralisação.

“Às 07h40, a maioria das bilheteiras estava encerrada. Para esta greve, que abrange apenas os trabalhadores das bilheteiras, não foram decretados serviços mínimos”, afirmou o dirigente sindical Luís Bravo.

Para os dias 12 e 23 de junho estão agendadas novas greves, sendo que as mesmas já envolveram todos os trabalhadores. A primeira realizar-se-à a sul de Pombal e a segunda a norte de Pombal.