Em comunicado, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) refere que, durante cinco anos, após os seis anos da formação académica, os médicos internos “enfrentam um cenário cada vez mais difícil, não só pelos vencimentos baixos e as más condições de trabalho, mas sobretudo porque são confrontados com uma responsabilidade bem acima do que deveria ser exigido para quem está em formação e onde nem sequer lhes é reconhecido o 1.º grau da carreira médica”.
A estrutura sindical lamenta que, apesar de os médicos internos trabalharem muitas horas extra não remuneradas e de os Serviços de Urgência dependerem em grande medida do seu trabalho, o Ministério da Saúde proponha aumentos salariais “indignos”: os de formação geral passariam a ganhar +48 euros, os de formação especializada nos primeiros anos +89 euros e nos últimos anos +142 euros.
De acordo com a FNAM, os valores propostos são “insuficientes para que os médicos internos consigam fazer face ao aumento do custo de vida, com impacto acrescido na habitação e alimentação, somados ao abuso dos seus horários de trabalho e ao grau de exigência que lhes é feito do ponto de vista formativo, com programas de internato cada vez mais exigentes do ponto de vista curricular, e de responsabilidade”.
Esta realidade faz com que o internato médico se transforme “numa odisseia de desconsideração e de frequentes atropelos laborais, que os leva, no fim do internato, a procurar oportunidades de trabalho fora do SNS, no setor privado ou no estrangeiro”, continua a estrutura sindical.
A FNAM acrescenta que “a perversidade é de tal ordem que depois de cinco anos de aprendizagem, formação e trabalho, com grande esforço individual e coletivo, o conhecimento destes médicos, cujo valor é inestimável para o bem-estar da nossa sociedade, acabará sem dar o retorno necessário e esperado ao Serviço Nacional de Saúde”.
Por forma a encontrar um “acordo global para salvar as carreiras médicas e o SNS”, a estrutura sindical defende “a integração dos médicos internos no 1.º grau da carreira médica para sua proteção, bem como a justa valorização salarial em todas as fases da formação, com cumprimento de horários e condições de trabalho que permitam previsibilidade e conciliação da vida profissional, pessoal, familiar e social dos médicos internos”.
Esta quinta-feira, os médicos internos cumprem o segundo dia de greve, convocada pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM), por aumentos salariais e valorização profissional. O SIM apontou para uma adesão de entre 83% e 85% na quarta-feira.