Em comunicado, a Fundação Narges Mohammadi anunciou que a Nobel da Paz já está internada num hospital em Teerão, após passar 10 dias internada em Zanjan. A libertação da prisão foi concedida em troca de uma “fiança avultada” e permite a Narges ser tratada pelos seus médicos.
A fundação afirma que esta suspensão da pena para receber tratamento médico não é suficiente, pois Narges Mohammadi necessita de cuidados permanentes e especializados. “Temos de garantir que ela nunca volte à prisão para cumprir os 18 anos que ainda lhe restam da pena. Chegou a hora de exigir a sua libertação incondicional e a retirada de todas as acusações. Nenhum ativista dos direitos humanos e dos direitos das mulheres deveria ser preso pelo seu trabalho pacífico”, afirmam.
Narges tem um historial clínico de doenças cardiovasculares e as condições de detenção agravaram a situação. Após meses de denúncias de recusa de tratamento médico especializado atempado, uma nova crise cardíaca levou-a à hospitalização nas últimas semanas, com os cardiologistas a defenderem a transferência imediata para um hospital da capital.
O ativismo de Narges em defesa dos direitos humanos e das mulheres no Irão levaram-na à prisão por 14 vezes. No próximo mês de setembro será publicado o seu livro de memórias, escrito na prisão de Evin e intitulado “Uma Mulher nunca Pára de Lutar”, com relatos das torturas, abusos sexuais e do regime de solitária a que foi sujeita.