Poucas semanas depois de ser galardoada com o Prémio Nobel da Paz 2023, Narges Mohammadi anunciou o início de uma greve de fome em protesto contra a falta de cuidados médicos nas prisões e o uso do véu obrigatório. A notícia foi dada por familiares da jornalista de 51 anos, vice-presidente do Centro de Defensores dos Direitos Humanos.
Há menos de um ano, o testemunho de Narges à BBC a partir da prisão de Ervin, onde está detida desde 2021 por "espalhar propaganda contra o sistema", deu conta dos abusos físicos e sexuais sofridos pelas detidas naquela prisão. A ativista cumpre uma pena de dois anos e meio de prisão, uma das várias condenações a que foi sujeita na última década.
A família de Narges Mohammadi afirmou que ela necessita de “cuidados médicos urgentes” num centro especializado em pulmões e coração, algo que as autoridades iranianas recusam enquanto ela se recusar a cobrir-se com o véu islâmico. A greve de fome agora iniciada visa denunciar “a política da República Islâmica de atrasar e negligenciar os cuidados médicos aos prisioneiros doentes”, bem como a “política de morte para quem não use o véu das mulheres iranianas”.
Jornalistas que divulgaram morte de Mahsa Amini estão na mesma prisão de Narges
Na prisão de Evin, em Teerão, estão igualmente detidas as duas jornalistas que ajudaram a divulgar a notícia que abalou o Irão no ano passado. A morte da jovem Mahsa Amini sob custódia policial, após ser detida por uso irregular do véu em setembro de 2022.
As jornalistas Elaheh Mohammadi, de 36 anos e Niloufar Hamedi, de 31, foram julgadas à porta fechada desde o fim de maio. Elaheh foi condenada a seis anos de prisão por colaboração com os Estados Unidos, a cinco anos por conspiração contra a segurança do país e ainda um ano por propaganda contra a República Islâmica, segundo a agência Mizan Online, citada pelo Euronews. Niloufar, repórter fotográfica do diário Shargh, foi condenada a sete anos de prisão por cooperação com os Estados Unidos, cinco anos por conspiração contra a segurança do país e um ano por propaganda contra a República Islâmica, acrescentou a mesma fonte. Segundo a lei iraniana, é aplicada a pena mais severa das três condenações.
A morte de Mahsa Amini deu origem a protestos duramente reprimidos pelas forças de segurança, deixando um saldo de centenas de mortes ao longo dos meses, com as manifestações a juntarem milhões de iranianos nas ruas contra o regime iraniano e quase 20 mil detidos.