A Greve Climática Estudantil tinha anunciado para esta sexta-feira uma marcha e uma "visita de estudo" ao Ministério do Ambiente. O objetivo era ocupar as instalações e chamar assim a atenção para a necessidade de ação urgente para acabar com o recurso dos combustíveis fósseis até 2030 e garantir eletricidade 100% renovável e a preço acessível até 2025.
O desfile juntou dezenas de estudantes e arrancou ao fim da manhã do Largo Camões, entoando palavras de ordem e libertando fumos vermelhos, verdes e negros. O cortejo foi interrompido quando a polícia revistou três manifestantes, apreendendo alguns destes engenhos de fumo.
À chegada ao Ministério do Ambiente, foram recebidos por um forte dispositivo policial a impedir a entrada. O clima de tensão aumentou com a carga policial, que resultou em ferimentos num estudante, que foi levado para o hospital, e na detenção de outros três. O cortejo partiu então para a esquadra do Bairro Alto para apoiar os colegas, mas a polícia voltou a parar os manifestantes, detendo mais um. Outros três menores de idade foram abordados pelos agentes e viram as suas malas apreendidas. Segundo a organização, a assessora de imprensa da Greve Climática Estudantil parou para dizer aos polícias que era ilegal o que estavam a fazer e acabou algemada e detida por "injúrias" na mesma esquadra.
Protesto junto ao Ministério do Ambiente. Foto Greve Climática Estudantil/Telegram
A essa hora já outro grupo de mais de uma dezena de estudantes tinha conseguido entrar no Ministério das Infraestruturas, noutro ponto da cidade, onde colocaram algumas faixas e sentaram-se no hall de entrada das instalações com os braços ligados por tubos. A ocupação durou algumas horas, até serem retirados pela polícia por volta das 15h e levados para a esquadra da Penha de França, onde terá lugar uma concentração de solidariedade.
A razão do protesto também neste Ministério é explicada por Leonor Penha, porta-voz desta ação, ao afirmar que "este problema não pode ser só resolvido no Ministério do Ambiente. É um problema sistémico, que necessita do envolvimento de todo o Governo e de todas as instituições. No caso deste Ministério, vai ser necessário para desmantelar de forma justa todas as infraestruturas poluentes e criar as necessárias para a transição, como para produção de energia renovável e expansão dos transportes públicos".
Nesta ação pacífica de desobediência, os estudantes exigiram que o executivo se comprometa a criar um serviço público de energias renováveis que garanta as suas reivindicações, nos termos do plano que já deixaram no Ministério do Ambiente.
"Este sistema que coloca o lucro à frente da vida está a condenar milhares de pessoas à morte. Nós prometemos não dar paz ao sistema fóssil que controla todas as instituições e que nos está a roubar um futuro", afirma outra das porta-vozes, Beatriz Xavier, defendendo que para garantir esse futuro "vai ser necessário desobedecer, como foi necessário para todas as mudanças sistémicas, das sufragistas a Rosa Parks".
Protesto junto ao Ministério do Ambiente. Foto Greve Climática Estudantil/Telegram