Festival de documentário de Melgaço em risco por corte do apoio camarário

17 de dezembro 2025 - 14:45

Organização do festival anunciou que a edição de 2026 não se irá realizar após o corte do apoio financeiro da autarquia agora liderada pelo PSD. Bloco diz que esta decisão “não é apenas um ataque à cultura, mas à sustentabilidade do concelho.”

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Sessão de cinema ao ar livre em Melgaço
Sessão de cinema ao ar livre em Melgaço. Foto MDOC/Facebook

O Festival Internacional de Documentário de Melgaço – MDOC atrai anualmente milhares de visitantes à vila situada no extremo norte do pais, junto à fronteira com a Galiza. Mas a mudança de executivo autárquico, agora com o PSD à frente, veio colocar em risco o evento que se realiza desde 2014.

Esta semana a organização do MDOC anunciou que não tem condições financeiras para realizar a edição de 2026, depois de ter conhecimento que o novo executivo autárquico não ira continuar a dar o apoio necessário ao festival. A Câmara tinha apoiado a edição deste ano do festival com 140 mil euros, que representa uma fatia de 90% dos apoios ao evento.

“O MDOC projetou Melgaço no mundo e trouxe o mundo a Melgaço”, afirmou a organização à agência Lusa, dizendo estar ainda a estudar a possibilidade de edições futuras ou mesmo o fim definitivo do festival. Além da projeção de documentários, o festival destacava-se pela ligação as populações, “criando um arquivo etnográfico e fílmico precioso que documenta a identidade local”, dando o exemplo dos “40 documentários produzidos no concelho, as 38 Fotografias Faladas, os livros e fotolivros publicados e as projeções ao ar livre nas freguesias exemplificam esta democratização da cultura e o diálogo com a comunidade”.

A distrital de Viana do Castelo do Bloco de Esquerda condenou a decisão da autarquia, considerando a eventual interrupção do festival “um retrocesso grave e inaceitável”, mas também sintomático da “relação problemática da direita com a cultura”.

“Este não é apenas um ataque à cultura: é um ataque direto à população de Melgaço e à sustentabilidade do concelho”, refere a distrital bloquista. Lembrando os números do despovoamento do concelho de Melgaço, “seria expectável que o executivo municipal apostasse em todas as ferramentas capazes de atrair pessoas, dinamizar a economia local e reforçar o sentimento de pertença”, sendo a Cultura “uma dessas ferramentas centrais”, pois “um concelho sem oferta cultural é um concelho condenado ao abandono”, conclui.

O Bloco de Esquerda de Viana solidariza-se com a organização do festival e a população de Melgaço e diz que esta opção política “revela uma direita incapaz de reconhecer o valor da cultura do povo e o seu papel na construção de comunidades vivas e sustentáveis”.