Durante a noite deste domingo deveria ter começado uma greve de 50 horas dos trabalhadores ferroviários alemães. A Deutsche Bahn tinha avisado já que o impacto nos comboios de longa distância e regionais seria forte. Só que esta acabou por ser desmarcada.
O EVG, que representa mais de 200.000 trabalhadores, anunciou no sábado o cancelamento desta forma de luta depois da empresa ter concordado com a exigência de um salário mínimo de 12 euros por hora, pago diretamente e não através de bónus. Este sindicato explica que colocou questão do salário mínimo em primeiro plano por questão de solidariedade e que a empresa tinha recusado mas na iminência da greve acabou por ceder o que é visto como “um sucesso”.
Isto não significa, avisa porém estrutura sindical no mesmo comunicado, que a luta tenha acabado ou que as negociações tenham ficado por aqui. Diz-se mesmo que “estamos longe de pendurar os coletes dos piquetes de greve no armário” porque o conflito laboral “ainda não acabou”. E, se nada se alterar na mesa das negociações, há mesmo a “certeza” de uma próxima disputa: “a partir de quarta-feira tudo estará em aberto e é possível novamente”, sublinha-se.
A empresa ferroviária pública está disposta a fazer um pagamento único, livre de impostos, e um aumento de 10% para os salários baixos e médios e 8% para os outros de forma a compensar a inflação, pacote a ser incluído num acordo válido por 27 meses. O EVG contrapõe com a necessidade de um aumento de 12% ou, pelo menos, mais 650 euros por mês e um acordo válido apenas por 12 meses.
Este acordo segue-se à greve conjunta do setor dos transportes em março passado que juntou os trabalhadores representados pelo EVG e os representados pelo Ver.di, de outras empresas de transportes e que é o segundo maior do país, contando nas suas fileiras com mais de 2,5 milhões de trabalhadores de vários setores públicos.
Em finais de abril, tinha sido a vez deste sindicato anunciar também um acordo. Neste caso, as partes concordaram num pagamento devido à inflação de 3.000 euros, a partir de março de 2024, e uma subida salarial de pelo menos 340 euros, num acordo válido por dois anos.